A crise global do plástico nos oceanos: o futuro em perigo

  • Cerca de 90% dos resíduos oceânicos são plásticos.
  • Até 2050, poderá haver mais plásticos do que peixes nos oceanos.
  • Os países estão a implementar medidas para reduzir a utilização de plásticos.
  • Os cosméticos também contribuem para a poluição dos oceanos.

em 2050 haverá mais plásticos do que peixes no mar

O lixo nos oceanos é um dos maiores problemas ambientais da nossa era, uma ameaça crescente cujo impacto já é visível a nível global. A relação entre os resíduos plásticos e os mares atingiu uma tal magnitude que importantes organizações internacionais estão a tomar medidas. Ele Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), por exemplo, lançou a campanha global #Mares Limpos com o objetivo de eliminar as principais fontes de lixo nos oceanos até 2022.

No entanto, o problema persiste, sendo o plástico a principal causa deste desastre ambiental. Que ações concretas estão a ser tomadas e quais serão as consequências se não agirmos o mais rapidamente possível?

Existem mais plásticos do que peixes no mar?

8 milhões de toneladas de plástico são despejadas por ano

A presença de plásticos nos oceanos É alarmante. Estima-se que cerca 90% de todo o lixo marinho é plástico, um número que aumenta a cada ano. Instituições como a ONU pediram aos governos que agissem de forma decisiva através de políticas centradas na reduzir o consumo de plásticos descartáveis e melhorar o sistema de reciclagem.

Um dos dados mais chocantes é que a cada ano mais de 8 milhões de toneladas de plástico para o mar. Isso equivale a cada minuto que um caminhão inteiro de lixo plástico é despejado nos oceanos. Se esta tendência não for travada, em 2050 haverá mais plástico do que peixe nos mares. Além disso, estima-se que o 99% das aves marinhas terão ingerido plástico devido à sua presença generalizada no habitat marinho, que causa danos físicos significativos e até a morte.

Os ecossistemas marinhos estão a sofrer graves danos. Os estudos actuais estimam os danos económicos em cerca de 8.000 milhões de dólares anualmente devido à perda de biodiversidade, à redução da pesca e ao impacto de setores como o turismo. Os turistas preferem evitar praias contaminadas com resíduos flutuando na água, o que tem um impacto significativo nas economias locais.

“Chegou a hora de enfrentar o problema do plástico que danifica nossos oceanos. A poluição desse material já está navegando nas praias da Indonésia, se instala no fundo do oceano no Pólo Norte e chega às nossas mesas através da cadeia alimentar ”, comentou o diretor executivo do Pnuma, Erik Solheim.

Os países que mais apoiam esta campanha

Um dos países que mais apoiou a campanha é o Uruguai, que se comprometeu a taxar as sacolas descartáveis. A Costa Rica também implementou gestão de resíduos e programas de educação ambiental para reduzir o uso de plásticos e melhorar a reciclagem.

A campanha #CleanSeas Hoje conta com o apoio de mais de 60 países e se espalhou para outros setores, como cosméticos e alimentos. Globalmente, os governos estão a trabalhar para implementar legislação que exige que as empresas minimize o uso de plásticos em seus produtos e embalagem. Na Europa, por exemplo, a União Europeia avançou com diretivas que proíbem produtos plásticos de utilização única, como palhinhas, cotonetes ou talheres de plástico, que contaminam os ecossistemas marinhos.

O objetivo final é reduzir o desperdício de plástico, mas também promover uma maior sensibilização dos cidadãos, convidando-os a modifique seus hábitos de consumo e descartar adequadamente os resíduos.

Os cosméticos também poluem os oceanos

pássaros ingerem plásticos involuntariamente

Além das sacolas plásticas, outro grande problema de poluição é representado pelas microesferas de plástico, minúsculas partículas encontradas em produtos cosméticos e de higiene pessoal. Segundo o PNUMA, existem mais de 51 trilhões de microplásticos nos oceanos. Estas pequenas partículas são extremamente nocivas para a fauna marinha, pois são ingeridas por animais que as confundem com alimento, afetando gravemente a sua saúde.

Atualmente, estão a ser feitos esforços para proibir a utilização destas microesferas, com o objetivo de reduzir o impacto nos ecossistemas marinhos. Várias empresas de cosméticos começaram elimine esses ingredientes dos seus produtos, mas é necessário um esforço global para erradicar completamente a sua utilização.

O PNUMA espera anunciar progressos concretos na luta contra o plástico durante as próximas conferências internacionais, como a Conferência dos Oceanos e a Assembleia do Meio Ambiente.

A luta contra o plástico nos oceanos não é apenas uma questão ambiental, mas também uma questão de saúde humana, uma vez que grande parte dos microplásticos começaram a entrar na cadeia alimentar, afetando a saúde de milhões de pessoas em todo o mundo. É essencial que governos, empresas e cidadãos assumam a sua responsabilidade e tomem medidas imediatas para travar esta crise.

Campanhas globais como #Mares Limpos São um passo na direção certa, mas a verdadeira mudança só será alcançada se todos trabalharmos em conjunto e substituirmos o plástico por materiais mais sustentáveis, reduzindo ao mesmo tempo o nosso consumo de produtos plásticos.