Um dos gases que mais contribui para o aumento do efeito estufa e do aquecimento global é o gás metano. É um gás inodoro e incolor que não é solúvel em água. Sua fórmula química é CH4 e embora não seja tóxico, é altamente inflamável. Este gás tem uma capacidade considerável de reter calor na atmosfera, sendo um dos responsáveis pelo aumento do efeito estufa e do aquecimento global.
Neste artigo vamos explicar-lhe todas as características, funções e consequências que o metano tem na atmosfera, as suas utilizações nos diferentes sectores, como é extraído e qual o impacto que tem nas alterações climáticas.
Características principais

O gás metano é um hidrocarboneto alcano, o mais simples de sua categoria. A molécula de metano é composta por um átomo de carbono que une quatro átomos de hidrogênio por meio de ligações covalentes. Essa estrutura torna o metano incolor e inodoro em seu estado natural, além de ser muito estável quimicamente.
Apesar de sua estabilidade, na atmosfera o metano tem um poderoso efeito estufa. A sua capacidade de reter calor é até 25 vezes maior que a do dióxido de carbono (CO2) num período de 100 anos. Porém, sua meia-vida na atmosfera é bem mais curta, em torno de 10 a 15 anos.
Este gás tem origem em diversas fontes, algumas naturais e outras antropogénicas. Entre as fontes naturais, as zonas húmidas, o permafrost e os oceanos são responsáveis pela libertação de grandes quantidades de metano durante a decomposição da matéria orgânica em condições anaeróbicas.
Do ponto de vista da segurança, embora o metano não seja tóxico, pode tornar-se perigoso quando desloca o oxigénio, o que pode causar asfixia em espaços confinados. Além disso, sua capacidade inflamável o torna um gás que requer manuseio cuidadoso nas indústrias que o utilizam.
Como usar o gás metano
O metano, devido à sua abundância e facilidade de extração, tornou-se um elemento-chave em inúmeras atividades industriais e domésticas. Seus principais usos são em setores como produção de energia, indústria química e transportes, além de ser utilizado no setor doméstico para aquecimento e cozinha.
Produção de energia: O metano é o principal componente do gás natural e é usado para alimentar turbinas a gás e gerar eletricidade. Graças à sua elevada capacidade calorífica, a sua utilização na geração de energia é eficiente, embora seja considerado um combustível fóssil não renovável.
Combustível do veículo: O metano é utilizado em veículos tanto na forma de gás natural comprimido (GNC) quanto de gás natural liquefeito (GNL). Estes combustíveis são alternativas mais limpas a outros derivados fósseis, como a gasolina e o gasóleo, reduzindo as emissões de carbono.
Indústria química: Neste setor, o metano é matéria-prima fundamental para a produção de compostos como metanol, amônia e hidrogênio. Além disso, participa da fabricação de fertilizantes, plásticos e produtos químicos utilizados em diversos processos industriais.
Uso doméstico: Em muitas casas, o metano é usado para abastecer fornos, fogões e sistemas de aquecimento. O seu transporte sob a forma de gás liquefeito tem permitido que zonas rurais e periféricas tenham acesso a esta fonte de energia sem a necessidade de instalações de gás em grande escala.
Extração de metano
A obtenção de metano é feita principalmente através da extração de gás natural. Os depósitos de gás natural são frequentemente encontrados em camadas subterrâneas e a extração requer métodos especializados, como perfuração profunda na rocha.
Para identificar estes depósitos são utilizadas técnicas sísmicas que permitem conhecer a composição do subsolo. Entre os métodos mais comuns estão as explosões controladas, que geram ondas sísmicas. As informações obtidas com essas ondas são fundamentais para determinar a presença de gás natural e metano no subsolo.
Uma vez descoberto um campo, o gás extraído pode ser transportado através de gasodutos ou armazenado na forma de gás liquefeito para facilitar o transporte. Também é utilizado para encher botijões de gás que são distribuídos em áreas mais remotas.
Além da extração subterrânea, começou a ser aproveitado o metano proveniente dos aterros sanitários e da decomposição de resíduos orgânicos nas fazendas, conhecido como biometano. Esse processo consiste em capturar o metano liberado pela decomposição da matéria orgânica em condições anaeróbias e depois convertê-lo em biogás, que pode ser aproveitado de forma semelhante ao gás natural.
Como seus depósitos foram formados

O gás metano se origina da decomposição da matéria orgânica ao longo de milhões de anos. Durante o período Carbonífero, grandes quantidades de plantas e animais ficaram presos no fundo dos oceanos e lagos, enterrados sob sedimentos. Com o tempo, a pressão e a temperatura fizeram com que essa matéria orgânica se decompusesse na ausência de oxigênio, gerando metano e outros hidrocarbonetos.
Este processo de formação deu origem a vastas jazidas de gás natural que hoje são exploradas para obtenção de metano. A maior parte destes depósitos está localizada em regiões geologicamente ativas, o que tem facilitado o seu acesso através de perfurações profundas.
Além dos depósitos subterrâneos, descobriu-se que o metano pode ser armazenado na forma de hidratos no fundo do oceano. Os clatratos de metano são compostos cristalinos nos quais as moléculas desse gás ficam presas em uma estrutura de gelo. Embora a exploração destas jazidas ainda não seja comum, elas são consideradas uma possível fonte futura de energia.
Outra fonte de metano são as atividades humanas. A agricultura, a pecuária e os resíduos sólidos urbanos produzem grandes quantidades de metano devido à decomposição anaeróbica da biomassa e de outros resíduos orgânicos.
O permafrost, solos permanentemente congelados nas regiões polares, contém grandes reservas de metano retido. Com o aquecimento global e o degelo do permafrost, este gás está a ser libertado na atmosfera, o que poderá ter graves consequências para o equilíbrio climático do planeta.
Examinar e controlar as emissões de metano destas reservas é essencial para mitigar o seu impacto nas alterações climáticas.
Por fim, o metano pode ser produzido artificialmente em laboratórios e indústrias por meio da síntese de dióxido de carbono e hidrogênio, denominado processo Sabatier. Estas técnicas estão a ser consideradas como uma opção viável para a produção controlada de metano num futuro mais sustentável.
O impacto do metano nas alterações climáticas é um problema global que requer atenção urgente. As políticas e tecnologias destinadas a reduzir as emissões de metano são essenciais para conter o aquecimento climático.
O metano é um gás de efeito estufa mais potente que o dióxido de carbono em termos de retenção de calor, embora permaneça na atmosfera por menos tempo. Estudos demonstraram que a redução das emissões de metano poderia ter um efeito rápido e positivo na temperatura global, ajudando a manter o aumento da temperatura abaixo dos 1,5ºC estipulados no Acordo de Paris.
Para reduzir estas emissões, estão a ser exploradas diferentes abordagens. No sector agrícola, os investigadores estão a desenvolver formas de reduzir as emissões de metano produzidas pela pecuária, introduzindo mudanças nas dietas animais e métodos de gestão de estrume mais eficientes. No sector energético, a implementação de tecnologias como a detecção remota e a melhoria dos sistemas de transporte e armazenamento de gás natural têm mostrado resultados promissores na redução das fugas de metano.
Controlar as emissões de metano e promover a sua captura e reutilização sob a forma de biogás representa uma oportunidade para avançar para um futuro mais sustentável. A utilização deste gás como fonte de energia renovável pode desempenhar um papel fundamental na transição energética global.


