Os mercados globais de energia têm vindo a mudar a passos largos já há algum tempo, mas recentemente houve um marco que é difícil de ultrapassar. Pela primeira vez na história, a energia solar tornou-se o caminho mais barato para obter eletricidade em vários mercados emergentes em todo o mundo, superando as fontes de energia tradicionais, como o gás e o carvão.
Embora alguns especialistas da indústria sentissem que a energia solar se tornaria mais rentável em algum momento, tem sido surpreendente a rapidez com que estamos a assistir a esta mudança, como confirmado por relatórios recentes como o do Bloomberg New Energy Finance.
Já houve casos em que o energia solar conseguiu superar a energia eólica nos custos de produção, mas sempre foram situações excepcionais, como os leilões competitivos no Médio Oriente. Agora, a mudança de tendência é global.
Os avanços tecnológicos permitiram que novas instalações solares competissem diretamente, e com sucesso, com fontes tradicionais como o carvão ou o gás natural. Em muitos mercados, a energia solar já é mais barato do que estas fontes mais poluentes.
Em comparação com a energia eólica, em muitos mercados emergentes estamos a assistir a projetos solares que são significativamente mais rentáveis. De acordo com o relatório da Bloomberg, os custos de instalação do a energia solar fotovoltaica está caindo mais rápido do que os da energia eólica, tornando-a uma opção líder.

Globalmente, em 58 economias emergentes, incluindo a China, a Índia e o Brasil, tanto a energia solar como a eólica tornaram-se muito competitivas em termos de custos. Segundo as projeções, a energia solar continuará a ficar mais barata, resultando numa situação sem precedentes para o setor elétrico, onde esta fonte renovável poderia substituir a energia eólica em muitas regiões.
O preço da energia solar vs. preço do carbono
No ano passado, a Índia assinou um contrato para produzir eletricidade solar a US$ 64 por megawatt-hora. Contudo, o Chile bateu recorde em agosto, conseguindo licitar US$ 29 por megawatt/hora, um marco que coloca a energia solar como quase 50% mais barato que o carvão.
O relatório de Custo nivelado de energia Lazard confirma esta tendência, mostrando que os custos nivelados das energias renováveis diminuem todos os anos, enquanto os das fontes convencionais, como o carvão e o gás, aumentam.
Globalmente, as energias renováveis já são mais competitivas em vários leilões de energia, incluindo quando combinado com sistemas de armazenamento de bateria. Estas soluções permitem que a eletricidade gerada durante o dia seja armazenada para utilização à noite ou em horários de baixa produção, eliminando a intermitência que geralmente tem sido uma crítica às energias renováveis.
Por que há um grande crescimento das energias renováveis nos países emergentes
Os mercados emergentes estão a impulsionar o crescimento das energias renováveis a um ritmo muito mais rápido do que as principais economias do mundo. Um factor-chave neste crescimento é a acessibilidade financeira das energias renováveis, que reduziram drasticamente os seus custos graças à melhoria tecnológica e às economias de escala.
Um relatório da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) mostra que as energias renováveis representam a maior parte da nova capacidade de produção instalada. Além disso, o leilões competitivos Em países como Arábia Saudita, Jordânia e México, os preços da energia solar subiram para níveis recordes de 2,42 cêntimos por quilowatt/hora nos Emirados Árabes Unidos e 2,91 num leilão no Chile, consolidando o vantagem econômica da energia solar sobre o carvão.
Além de ser economicamente vantajosa, a energia solar está destinada a contribuir significativamente para a redução de Emissões CO2 globalmente, o que representa um incentivo adicional para a sua adoção em mercados que até agora dependiam do carvão ou do petróleo.
O papel dos bancos e das empresas estrangeiras também tem sido fundamental, especialmente em países como o México e o Chile, onde boa parte do investimento em energias renováveis foi financiado com capital estrangeiro. Contudo, em países como a China, o financiamento vem de instituições e bancos locais.
Os desafios e limitações das energias renováveis nos países emergentes
Embora o crescimento das energias renováveis tenha sido impressionante, também apresenta desafios significativos. A capacidade de integração destas fontes de energia em redes elétricas instáveis, a alta intermitência das energias renováveis e os problemas técnicos resultantes do rápido progresso na sua adopção são alguns dos obstáculos que estes países enfrentam.
Os especialistas salientam que num sistema energético altamente dependente de energias renováveis, como poderá acontecer num futuro próximo, usinas flexíveis para servir de reserva caso as energias renováveis não consigam cobrir toda a procura. Estas centrais poderiam ser de biogás ou biomassa, mas as tecnologias do hidrogénio também estão a ser investigadas como uma possível solução.

Um relatório recente do Instituto Fraunhofer também mostra que tecnologias de armazenamento, como as baterias, são essenciais para superar os problemas de intermitência das energias renováveis. Embora atualmente custos de armazenamento são elevados, espera-se que continuem a diminuir ao longo do tempo, o que facilitará a sua integração generalizada no sistema eléctrico.
As energias renováveis estão destinadas a ser a solução definitiva a longo prazo para a geração de eletricidade. Não só são mais baratos que os combustíveis fósseis, mas os seus benefícios em termos de sustentabilidade e redução das emissões de CO2 tornam-nos uma solução inevitável na luta contra as alterações climáticas.




