Energia marinha: tipos, tecnologias e seu potencial renovável

  • Ondas, marés, correntes e gradientes térmicos e salinos são as principais fontes de energia marinha.
  • A energia das marés e das ondas lidera o desenvolvimento de tecnologias para geração de eletricidade a partir de corpos d'água.
  • A Europa, especialmente a Escócia, Portugal e Espanha, é pioneira na utilização da energia marinha.

ecossistema marinho formado por diferentes espécies de flora e fauna

energia marinha É uma das formas de energia renovável menos exploradas no mundo hoje. No entanto, os oceanos e mares têm um imenso potencial energético que, se utilizado corretamente, poderá satisfazer uma parte significativa da procura mundial de eletricidade. Esta forma de energia possui múltiplas fontes, como ondas, marés, correntes oceânicas, gradientes térmicos e gradientes salinos. Apesar das suas vantagens, o seu desenvolvimento tem sido lento devido ao elevado custo e aos desafios tecnológicos associados.

Tipos de energia marinha

O desenvolvimento de energia renovável a partir dos oceanos ainda não foi desenvolvido

Existem diversas maneiras de aproveitar energia marinha, cada um com suas próprias tecnologias e desafios. Aqui detalhamos os principais:

Energia das ondas

Também conhecido como energia das ondas, esta forma de energia marinha é obtida aproveitando o movimento das ondas na superfície do oceano. As ondas são geradas pela ação do vento sobre a água e, como o vento é gerado pela radiação solar, podemos considerar a energia das ondas como um derivado da energia solar.

As ondas contêm uma grande quantidade de energia cinética devido ao seu movimento oscilatório. Algumas áreas do planeta, especialmente aquelas com ventos constantes, têm um potencial considerável para aproveitar este tipo de energia. Por exemplo, em regiões do Oceano Atlântico Norte, a energia contida nas ondas pode atingir até 70 MW por quilómetro quadrado.

Existem diferentes tecnologias para captação de energia das ondas. Dispositivos como colunas de água oscilantes, os atenuadores ou terminadores flutuantes. Esses mecanismos transformam o movimento das ondas em energia útil através de turbinas ou sistemas hidráulicos.

Energia das marés

La Energia da água do mar É gerado aproveitando a subida e descida do nível da água produzida pelas marés, que são causadas pela atração gravitacional do Sol e da Lua sobre os oceanos. Este fenómeno, que ocorre de forma previsível, torna a energia das marés uma fonte muito fiável.

uma turbina para geração de energia das marés é melhorada

Os principais sistemas utilizados para captar a energia das marés consistem na construção de diques ou barragens em zonas costeiras onde o nível da água muda significativamente com as marés. Ao abrir as comportas, a água passa pelas turbinas, gerando eletricidade.

Um exemplo notável do uso desta tecnologia é a usina maremotriz La Rance, na França, que tem capacidade de 240 MW.

Energia das correntes oceânicas

As correntes marinhas São movimentos de massas de água que ocorrem nos oceanos devido à ação do vento e de outros fatores geofísicos. Para aproveitar a energia cinética dessas correntes, são utilizadas turbinas subaquáticas semelhantes às turbinas eólicas, mas adaptadas ao ambiente aquático.

O principal desafio para o desenvolvimento desta tecnologia é a irregularidade na velocidade das correntes marítimas, bem como a dificuldade técnica e económica de instalação e manutenção das turbinas no fundo do oceano.

Gradientes térmicos

La energia gradiente térmico Baseia-se no aproveitamento da diferença de temperatura entre as águas superficiais, que são aquecidas pela radiação solar, e as águas mais profundas, que permanecem frias. Este fenômeno ocorre em regiões tropicais ou equatoriais, onde o gradiente térmico entre a superfície e as profundezas do oceano é significativo ao longo do ano.

Para transformar essa energia em eletricidade, são utilizados sistemas que operam seguindo um ciclo termodinâmico (geralmente o ciclo Rankine). Contudo, a rentabilidade destas centrais ainda é limitada devido aos sistemas complexos e dispendiosos necessários ao seu funcionamento.

gradientes de sal

La energia de gradientes salinosum energia azul, é obtido aproveitando a diferença na concentração de sal entre a água do mar e a água doce do rio. Essa energia é captada principalmente por meio de processos de osmose reversa ou eletrodiálise.

Atualmente, esta tecnologia está em fase experimental, com projetos piloto como o da Statkraft na Noruega, que inaugurou a primeira planta de osmose do mundo no Fiorde de Oslo.

turbinas melhoradas para energia das marés

Como aproveitar esta energia

Aproveitar a energia marinha continua a ser um desafio, mas o seu potencial é enorme. O energia das ondas É aquele que mais avançou em termos de investigação e desenvolvimento, com projetos pioneiros em locais como Reino Unido e Portugal. No entanto, o Energia da água do mar, apesar do seu impacto mais localizado, tem sido utilizado com sucesso em locais como La Rance, embora não tenha sido amplamente replicado devido ao seu elevado impacto ambiental.

As correntes marinhas, embora promissores, enfrentam o problema do tráfego marítimo em algumas áreas de grande interesse. No entanto, se a tecnologia for desenvolvida para implantar turbinas em áreas suficientemente profundas, esta desvantagem poderá ser reduzida.

Por outro lado, o uso de gradientes térmicos e salinos ainda está em fase experimental e não é rentável no momento. Embora isto não signifique que estas tecnologias não tenham futuro, uma vez que o investimento em investigação e desenvolvimento continua.

energia marinha energia renovável

Potencial energético marinho no futuro

O desenvolvimento de tecnologias marinhas tem sido mais lento do que o de outras fontes renováveis, como a energia eólica ou solar, mas o seu potencial é evidente. Segundo a Agência Internacional de Energia, até 2050, a energia marinha deverá contribuir com 10% da geração de eletricidade na Europa, o que mostra um horizonte promissor.

O desenvolvimento de novas tecnologias, juntamente com o aumento da cooperação internacional, está a impulsionar muitos projectos-piloto em todo o mundo. Regiões como a Escócia, Espanha e Noruega estão na vanguarda nesta área, com projetos destinados à energia das ondas e das marés.

Na América Latina, países como o Chile, o Brasil e o México começaram a desenvolver os seus próprios projetos de energia marinha, o que mostra que o interesse nestas tecnologias começa a tornar-se global.

Com o apoio de políticas governamentais e financiamento adequado, a energia marinha provavelmente se tornará parte integrante do mix energético global nas próximas décadas. Estas energias não são apenas renováveis ​​e inesgotáveis, mas também têm um baixo impacto ambiental e poderia gerar milhares de empregos na indústria de energia renovável.

À medida que os avanços tecnológicos e as reduções de custos continuam, a energia marinha desempenhará um papel crucial na transição para um futuro energético limpo e sustentável.