A taxa de US$ 300 que a LUMA Energy cobra dos proprietários de sistemas de geração distribuída (painéis solares) por um suposto estudo de interconexão suplementar voltou à tona , uma prática questionada quanto à sua conformidade com as normas e à forma como os afetados foram notificados.
A controvérsia está agora sob análise do Departamento de Energia , após uma denúncia do Escritório Independente de Proteção ao Consumidor (OIPC) que solicita a suspensão dessas cobranças até que o devido processo legal seja respeitado e haja autorização expressa do órgão regulador.
O que causa a cobrança de US$ 300?
Segundo a OIPC, a LUMA realizou milhares de estudos adicionais de capacidade de distribuição sem notificar devidamente os clientes e, em seguida, exigiu o pagamento, o que violaria a sequência regulamentar prevista para este tipo de avaliação.
Os avisos de cobrança teriam chegado a 32.000 assinantes e, se cobrados, representariam uma receita de aproximadamente US$ 9,6 milhões. O OIPC afirma que a cobrança por estudos realizados sem aviso prévio ou oportunidade de discussão com o usuário não está de acordo com as normas.
O órgão solicita uma ordem de cessação e desistência de todas as ações de cobrança relacionadas a estudos já realizados sem o devido procedimento e ressalta que o Departamento de Energia ainda não aprovou essas cobranças.
Ao ser contatada pela imprensa, LUMA indicou que, por ora, não fará nenhuma declaração e que dará continuidade ao processo de acordo com os procedimentos legais cabíveis.
O papel do regulador e o status do arquivo
O OIPC apresentou a petição em 11 de julho e, em 30 de julho, foi nomeado um oficial examinador para conduzir os procedimentos: administrar juramentos e depoimentos, emitir intimações, receber provas, presidir audiências e realizar conferências para agilizar o caso; esta fase não contempla a imposição de multas administrativas.
Segundo o OIPC, a ordem correta é clara : primeiro, notificar o consumidor, permitir que ele discuta ou esclareça quaisquer dúvidas sobre a análise, efetuar o pagamento e somente então realizar o estudo dentro do prazo regulamentar de 180 dias. Realizar o estudo antes e notificar o consumidor depois, acrescenta, resulta em notificações com defeitos que não podem ser corrigidos.
Além disso, a controvérsia ganhou visibilidade dias depois, porque esse tipo de solicitação não é publicado rotineiramente no site do órgão regulador, dificultando que o público tome conhecimento imediato do conteúdo do processo.
Organizações e o mundo político pedem fim da taxa
Entidades do setor de energia solar apoiam o processo . A Associação de Energia Solar e Armazenamento (SESA) e a Solar United Neighbors (SUN) consideram as cobranças injustificadas e inexequíveis sem o devido embasamento técnico ou jurídico, ou aviso prévio, e instam o Departamento a resolver a questão rapidamente e o Legislativo a adotar medidas para proteger os consumidores.
A SUN enfatiza que a cobrança de US$ 300 penaliza as famílias que investem na manutenção de uma rede elétrica mais limpa e acessível, e defende que os direitos energéticos dos consumidores sejam respeitados e o acesso à energia solar preservado.
No âmbito político, vozes no Senado criticaram a medida e argumentaram que, se a LUMA precisar realizar estudos adicionais, ela própria deverá arcar com os custos, em vez de repassá-los retroativamente às famílias com sistema de medição líquida.
A Câmara dos Representantes está exigindo a suspensão imediata da taxa para permitir a avaliação de alternativas. Questionam a validade da Regra 8915 do Regulamento de Interconexão, que estabelece limites como 15% de carga nos alimentadores, argumentando que ela está desatualizada em relação ao estado atual da rede.
O que um usuário que recebeu a carta pode fazer?
Caso receba uma notificação de "estudo suplementar" no valor de US$ 300, as organizações recomendam que guarde toda a documentação, consulte o instalador e relate o caso ao OIPC enquanto o órgão regulador resolve a questão.
- Telefone OIPC: 787-523-6962
- E-mail: info@oipc.pr.gov
- Site: www.oipc.pr.gov
O programa de medição líquida foi criado para facilitar a interconexão e creditar a energia que residências e empresas injetam na rede; quaisquer encargos associados ao processo devem ser claros, notificados em tempo hábil e estar em conformidade com os regulamentos vigentes.
O contexto da energia solar em Porto Rico
A penetração da energia solar residencial continua a crescer : relatórios recentes da LUMA mostram mais de 158.600 interconexões e aproximadamente 1.144 MW de capacidade adicionada. Entre janeiro e março, quase 5.000 novas conexões foram registradas a cada mês, e a ilha está entre as principais jurisdições dos EUA em novas conexões.
Este desenvolvimento levanta desafios de integração técnica — como a gestão da capacidade dos alimentadores — e abre o debate sobre a atualização das normas, tendo sempre em mente que qualquer ajuste tarifário deve respeitar o devido processo legal e a proteção do consumidor.
O essencial, enquanto se aguarda a decisão do Gabinete , é que os clientes tenham informações transparentes, que o procedimento de notificação e cobrança seja organizado e que as medidas adotadas garantam tanto a estabilidade da rede quanto os direitos daqueles que optaram pela energia solar.