
Converter biorresíduos em carbono renovável Não se trata mais apenas de uma ideia de laboratório, mas de uma realidade que está mudando a forma como gerenciamos nossos resíduos orgânicos, produzimos energia e reduzimos as emissões. Do tratamento de lodo de esgoto à digestão da fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos, todo um ecossistema tecnológico e econômico está sendo construído em torno dessa nova forma de utilizar a matéria orgânica.
Neste contexto, projetos como o BIOKAR no País Basco, usinas de biogás avançadas como a de Nieheim, na Alemanha, iniciativas locais para a valorização de biorresíduos em municípios espanhóis e a promoção de hidrogênio derivado da biomassa A utilização do CO₂ biogênico como recurso oferece uma visão abrangente da direção que a bioeconomia circular está tomando. A seguir, todos esses aspectos são explorados em detalhes, integrando tanto os avanços tecnológicos quanto seus impactos ambientais, econômicos e sociais.
De resíduos orgânicos a carbono renovável de alto valor
A gestão tradicional de resíduos orgânicos tem envolvido, durante décadas, o envio de grandes quantidades de... biorresíduos para aterro sanitário ou seu uso quase exclusivo para recuperação básica de energia, desperdiçando assim seu potencial como recurso material. Em uma comunidade como o País Basco, por exemplo, são geradas anualmente mais de 500.000 mil toneladas de lodo proveniente de estações de tratamento de esgoto (ETEs), digestato, resíduos agrícolas e florestais e restos de poda, grande parte dos quais é descartada de forma ineficiente.
Este modelo linear pressupõe um perda de recursos e uma fonte de emissões de gases de efeito estufa, além de aumentar os custos de gestão. Em resposta, surgiram projetos que abordam os biorresíduos como matéria-prima para gerar biochar, biometano, hidrogênio renovável e outros produtos com aplicações diretas na indústria, agricultura e construção.
Nessa mudança de paradigma, a chave está em combinar tecnologias termoquímicas (como pirólise ou carbonização hidrotérmica), processos biológicos avançados (digestão anaeróbica otimizada) e sistemas de captura e utilização. CO₂ biogênico que é gerado durante a conversão, fechando assim o ciclo do carbono em curtos períodos de tempo.
Projeto BIOKAR: transformando resíduos orgânicos em biochar funcional
O projeto BIOKAR foi concebido como uma resposta estrutural ao problema dos resíduos orgânicos subutilizados no País Basco, propondo a conversão de até [inserir valor aqui] em resíduos orgânicos. 500.000 toneladas de biorresíduos anualmente em biochar de alto valor agregado para múltiplas aplicações industriais. A iniciativa concentra-se em lodo de estações de tratamento de águas residuais, digestato e subprodutos agroflorestais que hoje em dia acabam, em sua maioria, em aterros sanitários ou são queimados para geração de energia.
Para alcançar esse objetivo, o consórcio BIOKAR está se concentrando em duas famílias de tecnologias termoquímicas: a carbonização hidrotérmica (HTC)Este método é adequado para fluxos de resíduos com alto teor de umidade, enquanto a pirólise é mais apropriada para frações secas. O principal objetivo é converter mais de 80% dos resíduos orgânicos iniciais em biochar estável, minimizando o volume final que requer gerenciamento posterior.
Além de otimizar a conversão, estão sendo realizados trabalhos em relação a funcionalização do biochar produzido. Isso envolve a modificação de suas propriedades físicas e químicas — por exemplo, aumentando seu teor de carbono acima de 70% e expandindo sua área superficial específica acima de 500 m²/g — para que possa substituir o carvão fóssil de forma eficaz e eficiente em diversos processos industriais.
O biochar obtido será validado em diversas linhas de uso: como material adsorvente em tratamento de água contaminado com compostos emergentes, como componente de aerogéis de carbono destinados à filtragem avançada de gases, e como aditivo e estabilizador de solo em materiais de construção, contribuindo também para o sequestro de carbono a longo prazo.
Toda essa abordagem permite que o biochar seja posicionado não apenas como um subproduto, mas como um produto essencial. recurso estratégico capaz de substituir materiais de origem fóssil, reduzindo as emissões de CO₂ associadas à sua produção e utilização.
Impacto ambiental, econômico e da economia circular
As estimativas feitas no âmbito do projeto BIOKAR indicam que a valorização avançada das 500.000 toneladas de biorresíduos atualmente subutilizadas anualmente poderia evitar a perda de cerca de 13.000 toneladas de CO₂ equivalente por anoEssa redução resulta tanto da menor quantidade de resíduos enviados para aterros sanitários quanto da substituição do carvão fóssil por biochar renovável.
No âmbito da economia circular, o projeto prevê um aumento significativo em Produtividade de materiais e taxa de circularidadeEstima-se que a produtividade de materiais possa aumentar em mais de 90%, enquanto a circularidade de recursos aumentaria em cerca de 50% graças à integração do biochar nas cadeias de valor existentes.
Do ponto de vista econômico, a BIOKAR projeta um valor agregado aproximado de 5 milhões de euros por ano Para as empresas participantes, esse valor será concretizado assim que o modelo for implementado em escala industrial. Esse valor deriva da venda de biochar funcionalizado, bem como dos serviços ambientais associados e da redução dos custos de gestão de resíduos.
O fortalecimento dessa cadeia de valor também tem um efeito claro no emprego, ao promover a criação de empregos qualificados Em áreas como engenharia de processos, caracterização de materiais, operação avançada de plantas e consultoria em sustentabilidade, a ecoindústria basca está, de modo geral, consolidando sua posição como líder em bioeconomia e neutralidade climática.
Esta abordagem está diretamente alinhada com a Estratégia de Economia Circular do País Basco para 2030 e com o Plano de Prevenção e Gestão de Resíduos para 2030, que identificam a Resíduos biológicos como prioridade estratégica Avançar rumo a um modelo de produção competitivo e de baixo carbono, baseado no uso eficiente dos recursos.
Um consórcio que abrange toda a cadeia de valor.
A robustez do BIOKAR baseia-se num consórcio que integra agentes de diversas áreas. coleta e gestão de biorresíduos Desde a aplicação industrial do biochar até a pesquisa e desenvolvimento tecnológico, o projeto é liderado pela Cadagua, empresa que contribui com sua experiência em engenharia, construção e operação de estações de tratamento de água.
Juntamente com a Cadagua, participam diversas empresas especializadas, garantindo a gestão integral dos diferentes fluxos de resíduos: uma empresa focada em soluções de filtração industrial e controle de emissões atmosféricas, outra dedicada à manutenção de áreas verdes, trabalhos florestais e vias públicas, uma empresa de terraplenagem e gestão de resíduos que utiliza agregados reciclados e um importante interveniente no setor florestal basco envolvido na gestão sustentável dos recursos florestais.
Somado a isso está um consultoria internacional Especializada em sustentabilidade, mercados de carbono e mudanças climáticas, apoiando a mensuração, o monitoramento e a valoração dos benefícios climáticos e ambientais gerados pelo projeto, bem como sua adequação aos marcos regulatórios e de financiamento verde.
Do ponto de vista científico e tecnológico, está sendo incorporado um centro de pesquisa de ponta em processos termoquímicos (pirólise e carbonização hidrotérmica), caracterização avançada de materiais e soluções para a valorização de resíduos biogênicos. Paralelamente, um cluster ambiental que reúne empresas e entidades do setor atua como plataforma para disseminação, transferência e ampliação dos resultados.
Essa estrutura público-privada demonstra um compromisso com a modelo de produção neutro em carbono e a vontade de passar de projetos-piloto para a implementação real no território, com um impacto social, econômico e ambiental tangível.
Apoio institucional e financiamento para a inovação
Para que esses tipos de iniciativas avancem da fase de laboratório para a implantação comercial, é essencial ter instrumentos de financiamento público que compartilham o risco tecnológico. No caso da BIOKAR, o projeto beneficia-se do apoio do programa HAZITEK 2025 do Governo Basco, que tem como foco o apoio a projetos de P&D empresariais alinhados à competitividade, à cooperação intersetorial e à sustentabilidade.
O auxílio provém do orçamento do Departamento da Indústria, Transição Energética e Sustentabilidade, bem como do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), reforçando a dimensão europeia da transição para uma economia mais sustentável. economia de baixo carbonoEsse tipo de suporte facilita para empresas e centros de tecnologia testarem e otimizarem tecnologias complexas como HTC ou pirólise avançada.
Ao conectar esses projetos com estratégias regionais e estaduais de economia circular e gestão de resíduos, garante-se que os resultados não sejam isolados, mas sim integrados a planos mais amplos de transformação industrial, contribuam para as metas climáticas e gerem impacto positivo. sinergias regulatórias e econômicas.
Usinas avançadas de biogás: o exemplo de Nieheim
Além da via termoquímica para a produção de biochar, a digestão anaeróbica de biorresíduos urbanos e agroindustriais é outra importante ferramenta para a conversão de matéria orgânica em biocombustíveis. carbono renovável na forma de biogás, biometano e CO₂ biogênico utilizável. Um exemplo notável é a usina de Nieheim, na Alemanha, operada pelo grupo Eggersmann.
Esta instalação, que opera desde 2007 utilizando fermentação seca em batelada, está sendo transformada para adotar um processo de fermentação seca contínuaO objetivo é aumentar substancialmente a produção de biogás a partir da fração orgânica dos resíduos sólidos urbanos. A modernização permitirá o processamento de aproximadamente 54.000 toneladas de biorresíduos por ano.
A mudança tecnológica é acompanhada por uma mudança na destinação do biogás: em vez de ser usado principalmente para gerar eletricidadeEles estão apostando neles. atualização para biometano Com qualidade de gás natural, que pode ser injetado na rede de gasodutos e utilizado em aplicações térmicas e industriais com maior valor energético.
A planta também integra um turbina eólica e uma grande instalação fotovoltaicaDessa forma, uma parte muito significativa da energia elétrica necessária para o processo de modernização é produzida de forma renovável nas instalações, reduzindo a pegada de carbono global.
Essa combinação coloca Nieheim como um exemplo de usina de energia híbridaonde a digestão de biorresíduos é integrada à geração de eletricidade renovável e a sistemas inteligentes de gestão de energia para maximizar a eficiência e minimizar as emissões associadas.
Gestão inteligente de energia e pegada de carbono negativa
Um dos aspectos mais inovadores da usina de Nieheim é sua gestão de energia baseada em Inteligencia artificialO sistema controla o momento da conversão do biogás em biometano com base na disponibilidade de eletricidade renovável produzida na própria usina (eólica e solar). Caso a geração de eletricidade no local seja insuficiente em determinado momento, o biogás é armazenado temporariamente em grandes tanques.
Isso evita o consumo de energia da rede elétrica durante períodos em que a matriz energética pode apresentar maior intensidade de carbono, ajustando as operações para priorizar períodos com maior penetração de energia renovável. Essa abordagem ajuda a reduzir a pegada de carbono associada ao processo de modernização e a melhorar a... equilíbrio climático global instalação.
Por outro lado, o CO₂ separado do biogás durante o processo de purificação é utilizado para fins de alto valor agregado. Parte dele é transformada em gelo seco biogênico, que é utilizado em processos industriais como jateamento para tratamento de superfícies ou em aplicações de resfriamento especializadas.
Outra fração do CO₂ capturado é armazenada permanentemente em materiais de construção, como concreto reciclado, onde permanece fixa durante toda a vida útil do produto. Essa estratégia de utilização e armazenamento de CO₂ biogênico permite que a usina de Nieheim não apenas produza energia renovável e biogás neutro em carbono, mas também aspire a ter uma emissão zero de carbono. até mesmo pegada de carbono negativa.
Ao integrar geração de energia renovável, digestão de biorresíduos, purificação de biometano e captura e utilização de CO₂, Nieheim se torna uma referência de como uma estação de tratamento de resíduos orgânicos pode evoluir para uma verdadeira usina de valorização energética. biorrefinaria de carbono renovável.
Composto, fertilizantes e uso agrícola
Os processos de digestão anaeróbica geram não apenas biogás, mas também um digestato que permanece um recurso de grande interesse agronômico. Em Nieheim, o manejo desse digestato foi projetado para manter e melhorar a sua qualidade. qualidade do composto Produzido em conformidade com rigorosos padrões de certificação.
O digestato do fermentador de fluxo contínuo geralmente apresenta um teor de umidade muito elevado para compostagem direta. Portanto, ele passa por um processo de separação em frações sólida e líquida. A fração sólida é utilizada para a produção de composto de alta qualidade, enquanto a fração líquida é comercializada como... fertilizante líquidoespecialmente em áreas agrícolas próximas.
Esta uso duplo permite devolução nutrientes orgânicos ao solo, melhorando sua estrutura e fertilidade, ao mesmo tempo que fecha o ciclo da matéria orgânica. A experiência acumulada desde meados da década de noventa pela divisão de compostagem do Grupo Eggersmann contribuiu para o aperfeiçoamento dos painéis de controle, tempos de maturação e misturas de materiais.
Na prática, os agricultores da região beneficiam de um fornecimento estável de alterações orgânicas e fertilizantes líquidos derivados de resíduos municipais e agroindustriais, criando um círculo virtuoso entre cidades e campo que reduz a dependência de fertilizantes à base de combustíveis fósseis.
Este modelo demonstra que a valorização de biorresíduos não se limita à produção de energia, mas abrange toda uma gama de produtos materiais baseados em carbono renovável que mantêm o carbono capturado no solo ou em produtos de longa duração.
Hidrogênio derivado da biomassa como vetor energético
Outro aspecto fundamental da transição para o carbono renovável é a produção de hidrogênio a partir de biomassa (Bio-H₂). Pesquisas recentes da Universidade de Yale analisaram detalhadamente a viabilidade desse vetor energético como ferramenta para reduzir emissões, especialmente em setores onde a descarbonização é complexa, como o siderúrgico, certos processos químicos ou o transporte pesado.
O hidrogênio é considerado um combustível limpo durante o uso, pois a conversão de energia não gera CO₂, mas as emissões associadas dependem muito do método de produção. Atualmente, grande parte do hidrogênio é obtido pela reforma do gás natural, com um alta pegada de carbonoEm contrapartida, o Bio-H₂ surge como uma alternativa que, embora nem sempre apresente emissões tão baixas quanto o hidrogênio produzido por eletrólise com energias renováveis, oferece reduções muito significativas em comparação com o hidrogênio fóssil.
O estudo de Yale combinou ferramentas de avaliação do ciclo de vida (ACV) com o modelo de análise de mudanças globais GCAM, integrando aspectos de oferta, demanda, políticas de incentivo e disponibilidade de recursos. A estrutura desenvolvida permite a avaliação não apenas das emissões diretas, mas também dos efeitos a longo prazo em diferentes setores e regiões.
Foram analisados diversos métodos de produção, incluindo o eletrólise alimentada por energia renovável e a gaseificação ou reforma de biomassa e resíduos agrícolas e florestais. Também foi considerada a forma como os incentivos irão mudar, levando em conta, por exemplo, a eliminação planejada de certos créditos fiscais para hidrogênio limpo nos Estados Unidos a partir de 2027.
Os resultados indicam que a incorporação de hidrogênio derivado da biomassa A inclusão do hidrogênio na matriz energética pode multiplicar a redução das emissões em 1,6 a 2 no período de 2025 a 2050, em comparação com cenários em que esse tipo de hidrogênio não é utilizado, especialmente se não houver um preço uniforme e abrangente para o carbono.
Biomassa, resíduos florestais e políticas de apoio ao Bio-H₂
A biomassa adequada para conversão em Bio-H₂ inclui ambos culturas energéticas Podem ser utilizadas espécies específicas (como o miscanthus ou o capim-elefante), bem como uma ampla gama de resíduos agrícolas e florestais. A utilização de resíduos florestais é particularmente interessante, pois ajuda a reduzir o acúmulo de combustível nas florestas, diminuindo o risco de incêndios e gerando valor econômico em áreas rurais.
Na ausência de um preço nacional para o carbono, o que os pesquisadores consideram improvável a curto prazo em alguns países, os incentivos setoriais desempenham um papel significativo. Medidas como subsídios direcionados a siderúrgicas ou outras indústrias que adotam a tecnologia de carbono são exemplos disso. processos baseados em hidrogênio Eles poderiam acelerar a implementação do Bio-H₂ e melhorar significativamente a redução das emissões.
O estudo sugere que, sob certas circunstâncias, o subsídios específicos Medidas destinadas a reduzir os custos de adoção do hidrogênio na indústria podem ser ainda mais eficazes do que um preço geral do carbono para impulsionar a transição para fontes de energia com baixa emissão de carbono.
Observa-se também que, embora a eletrólise da água alimentada por energias renováveis ofereça o potencial para hidrogênio praticamente livre de emissões, ela enfrenta limitações significativas, como altos custos de capital, disponibilidade de terras para energias renováveis e uso intensivo de água. Nesse contexto, o Bio-H₂ surge como uma alternativa promissora. solução complementar, especialmente útil a curto e médio prazo.
Em conjunto, essas descobertas reforçam a ideia de que a conversão de biorresíduos e biomassa em vetores como o hidrogênio renovável não só ajuda a fechar os ciclos de carbono, mas também abre novas oportunidades para o setor. bioeconomia circular em territórios com abundantes recursos orgânicos.
Usinas municipais de biorresíduos e acordos público-privados
Em um nível mais local, a implementação de estações de tratamento de biorresíduos que produzem biogás e biometano está gerando acordos de colaboração entre municípios e empresas privadas. Um exemplo ilustrativo é o acordo que está sendo considerado em um município como Colmenar Viejo, onde uma planta de tratamento e recuperação de matéria orgânica proveniente de coleta seletiva.
Neste caso, desenvolvedores especializados em gestão de resíduos e energias renováveis serão responsáveis pelo projeto, construção, operação e manutenção da instalação, que transformará matéria orgânica em biogás. Após a purificação, o biogás será convertido em biometano Adequado para injeção direta na rede principal de gasodutos, além de gerar subprodutos para uso agrícola.
A usina terá capacidade máxima de tratamento de 75.000 toneladas de biorresíduos por ano e será projetada com critérios ambientais rigorosos: não serão aceitos lodo ou restos de animais, e o trabalho será realizado com circuitos fechados e invólucros selados e não haverá lagoas abertas, reduzindo assim as emissões de odores e os potenciais impactos no meio ambiente.
Uma das principais reivindicações do governo municipal tem sido a substituição da antiga lagoa de lixiviação a céu aberto por meio de um sistema fechado e coberto que recircula o conteúdo, evitando qualquer risco de infiltração no solo ou nos aquíferos e melhorando a aceitação social da planta.
Do ponto de vista econômico, o acordo prevê receitas e retornos para a câmara municipal associados a impostos como o ICIO, o IAE ou o IBI, além de outros benefícios vinculados ao gestão gratuita ou com desconto em nome da facção orgânica municipal já serviços de energia, como a autoprodução de energia renovável já oferecem serviços de energia, como aquecimento gratuito para os centros educacionais do município.
A usina terá capacidade máxima de tratamento de 75.000 toneladas de biorresíduos por ano e será projetada com critérios ambientais rigorosos: não serão recebidos lodo ou restos de animais, o trabalho será realizado em circuitos fechados e recintos selados, e não haverá lagoas abertas, reduzindo assim a emissão de odores e os possíveis impactos no meio ambiente.
Uma das principais reivindicações do governo municipal tem sido a substituição da antiga lagoa de lixiviação a céu aberto por meio de um sistema fechado e coberto que recircula o conteúdo, evitando qualquer risco de infiltração no solo ou nos aquíferos e melhorando a aceitação social da planta.
Benefícios ambientais, sociais e educacionais em nível local.
O acordo para a nova usina de biorresíduos inclui um conjunto de benefícios concretos para o público, além da simples gestão de resíduos. Isso inclui a criação de uma sala de aula ambiental onde serão desenvolvidos programas de treinamento e conscientização sobre reciclagem de biorresíduos e economia circular para moradores, associações e centros educacionais.
Uma rede de medição também será instalada para qualidade do ar Com pelo menos três sensores distribuídos por todo o município, será possível monitorar os níveis e variações dos poluentes em tempo real. Essas informações serão úteis tanto para a administração pública quanto para o público, reforçando a transparência em relação aos impactos da usina.
A empresa promotora também assumirá os custos de diversas atividades de formação, sociais e ambientais, e cobrirá o consumo de gás natural nas escolas do município, gerando um poupança econômica direta para os cofres locais e para liberar recursos para outros serviços públicos.
Outro compromisso importante é a integração paisagística: árvores serão plantadas ao redor do perímetro e dentro do terreno, com o objetivo de melhorar a integração visual da instalação e contribuir para a compensação da pegada de carbono associada à sua atividade. Além disso, será dada prioridade à contratação de pessoal local, à promoção do emprego local e ao fortalecimento do vínculo entre a fábrica e a comunidade.
Em termos operacionais, a matéria orgânica recolhida no município terá entrada prioritária na central de tratamento a um preço de zero euros por tonelada, até uma determinada percentagem da capacidade total, incentivando assim a gestão adequada dos resíduos. separação na origem pelos moradores e reduz os custos de tratamento para a prefeitura.
CO₂ biogênico: de resíduo gasoso a recurso valioso
A digestão anaeróbica de biorresíduos gera biogás composto por aproximadamente 60% de metano e 40% de dióxido de carbono. CO₂ biogênicoPara obter biometano de alta pureza (mais de 99%), é necessário separar os dois gases por meio de processos de purificação, o que produz um fluxo concentrado de dióxido de carbono que, longe de ser um resíduo, está se tornando um recurso fundamental.
Uma vez separado, o CO₂ pode ser submetido a processos adicionais de purificação e liquefaçãoO CO₂ liquefeito é transformado de um estado gasoso para um estado líquido, eliminando impurezas. Esse CO₂ liquefeito possui inúmeras aplicações industriais e comerciais, e sua utilização se enquadra nas estratégias de captura e utilização de carbono (CCU) que acompanham a transição energética.
Entre as aplicações mais consolidadas do CO₂ biogênico estão a fabricação de bebidas carbonatadas, sua utilização em estufas para estimular o crescimento das plantas, na conservação de alimentos e em certos processos de refrigeração ou congelamento, como o de vacinas em situações críticas de saúde.
Existem também aplicações industriais avançadas, como tratamento de metais, jateamento com gelo seco ou seu uso como matéria-prima para produção. combustíveis sintéticosmetano ou metanol sintéticos, e até mesmo combustíveis de aviação sustentáveis. Em todos esses casos, o CO₂ é integrado em produtos ou processos que reduzem a dependência do carbono fóssil.
Além de sua utilização, outra opção é o armazenamento geológico ou o armazenamento em materiais de construção, onde o O CO₂ biogênico é fixado por longos períodos e não retorna à atmosfera. Essa opção permite emissões negativas, já que o CO₂ provém originalmente da atmosfera (capturado pelas plantas) e, após sua captura, seu retorno ao ar é impedido.
Diferenças entre CO₂ fóssil e CO₂ biogênico
Para compreender a relevância desses processos, é essencial distinguir entre CO₂ fóssil e CO₂ biogênicoO dióxido de carbono fóssil é liberado quando combustíveis como petróleo, gás natural ou carvão são queimados, adicionando novo carbono à atmosfera, aumentando sua concentração e alimentando as mudanças climáticas.
O CO₂ biogênico, por outro lado, faz parte de ciclo curto do carbonoAs plantas absorvem CO₂ da atmosfera por meio da fotossíntese e o incorporam em sua biomassa. Quando essa biomassa se decompõe ou é processada (por exemplo, em digestores anaeróbicos), o CO₂ retorna ao ar ou ao solo, fechando um ciclo relativamente rápido.
Ao capturarmos e utilizarmos esse CO₂ biogênico em produtos ou armazená-lo de forma estável, não estamos aumentando a quantidade total de CO₂ na atmosfera, mas sim gerenciando o carbono que já fazia parte do sistema natural. É por isso que muitas dessas soluções são consideradas sustentáveis. carbono baixo ou até mesmo negativodesde que todo o ciclo de vida seja bem gerenciado.
Assim, a conversão de biorresíduos em biogás utilizável, biometano, biochar, Bio-H₂ ou CO₂ biogênico requer uma estratégia abrangente de utilização de carbono renovávelA integração dessas tecnologias em políticas públicas, projetos industriais e acordos locais permite que o que antes era um problema de resíduos se torne um recurso valioso para a transição energética e climática.
Toda essa rede de projetos, tecnologias e acordos demonstra que os biorresíduos podem se tornar a pedra angular de uma nova geração de soluções baseadas em carbono renovável, em que se combinam biochar funcional, biometano, hidrogênio de biomassa e CO₂ biogênico valioso, gerando simultaneamente redução de emissões, oportunidades econômicas, inovação tecnológica e benefícios tangíveis para o território e seus habitantes.