Gestão de dejetos bovinos: regulamentações, aplicativos e agrocompostagem

  • O manejo de dejetos bovinos combina obrigações legais, controle de emissões e uso agronômico como biofertilizante.
  • Ferramentas como o AGSTI e o aplicativo Provacuno DSS Manure ajudam a planejar a produção, distribuição e qualidade de adubos orgânicos.
  • Os planos de distribuição e os protocolos avançados de agrocompostagem permitem ajustar as doses, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e melhorar a economia circular nas fazendas.

Gestão de dejetos bovinos

La manejo de dejetos bovinos Tornou-se uma questão fundamental para o setor pecuário, não apenas devido a obrigações legais, mas também por seu impacto direto no clima, na qualidade do solo, na água e no ar. Um bom planejamento faz toda a diferença entre um resíduo problemático e um recurso valioso capaz de reduzir os custos com fertilizantes e melhorar a produtividade das culturas.

Nos últimos anos surgiram novas ferramentas digitais, regulamentações específicas e protocolos técnicos que ajudam as fazendas a organizar a produção, o armazenamento, o tratamento e a aplicação de esterco bovino. Desde aplicativos móveis projetados como sistemas de apoio à decisão até decretos regionais que regulamentam prazos, registros e controles, o cenário atual exige a profissionalização dessa gestão, mas também abre caminho para o uso do esterco como um verdadeiro biofertilizante dentro da economia circular.

Importância ambiental e agronômica do esterco bovino

O esterco bovino é um fonte de matéria orgânica e nutrientes (nitrogênio, fósforo, potássio e microelementos) essenciais para manter a fertilidade dos solos agrícolas, mas, se mal gerenciados, podem se tornar uma fonte de poluição da água, emissões para a atmosfera e desconforto para a população próxima.

Quando o estrume é armazenado de forma inadequada ou aplicado sem planejamento, os riscos aumentam. emissões de metanoamônia e outros poluentes climáticos de curta duraçãoEm sistemas com armazenamento de líquidos, as emissões de metano podem ser muito elevadas, enquanto a utilização de estrume como combustível (para cozinhar ou aquecer) gera carbono negro, com um impacto significativo no clima e na qualidade do ar.

O aumento da demanda global por carne e leite sugere uma crescimento do censo pecuárioespecialmente em regiões em desenvolvimento. Sem um manejo adequado do esterco, esse aumento na criação de animais levaria a um aumento paralelo nas emissões de gases de efeito estufa, riscos de poluição por nitratos e problemas associados à coleta, armazenamento, tratamento e aplicação do esterco no campo.

Ao mesmo tempo, uma boa gestão permite que o estrume deixe de ser um resíduo problemático e se transforme em algo mais. biofertilizante com alto valor agronômicoO estrume é capaz de melhorar a estrutura do solo, aumentar sua capacidade de retenção de água e reduzir a dependência de fertilizantes minerais. O uso racional do estrume também está alinhado com os objetivos de uma economia circular e da soberania dos fertilizantes em áreas rurais.

No entanto, muitos agricultores se veem nessa situação. limitações técnicas, econômicas ou de informação que dificultam a adoção de práticas de gestão avançadas. Daí a crescente importância de ferramentas de apoio, diretrizes oficiais e marcos regulatórios que organizem e facilitem esse processo de transformação do sistema de gestão de dejetos animais.

Gestão sustentável de dejetos bovinos

Regulamentos e obrigações na gestão de dejetos bovinos

O manejo do esterco bovino é fortemente influenciado por diversos fatores. decretos regionais, ordens e planos de inspeção que buscam garantir a proteção do meio ambiente e o uso agronômico correto desses materiais orgânicos.

Em certas comunidades autônomas, foram aprovadas regulamentações específicas para reger essa questão. Por exemplo, o Decreto 53 / 2019Em Aragão, regulamenta-se a gestão de dejetos animais, bem como os procedimentos de acreditação e controlo, enquanto outros territórios têm regulamentos como o Decreto 34 / 2013, que estabelece as condições para o uso de estrume como corretivo orgânico em solos agrícolas e florestais.

Esses marcos regulatórios têm objetivos comuns: garantir que o esterco gerado na agricultura intensiva seja gerenciado corretamente, que seu uso em parcelas agrícolas seja ajustado à capacidade de absorção do solo e às necessidades das culturas, e que seja promove a economia circular Aproveitar o potencial fertilizante do esterco em vez de considerá-lo um simples resíduo.

As regras também afirmam prazos para adaptação de autorizações ambientaisIsso inclui a obrigação de apresentar declarações anuais sobre a produção e gestão de estrume, bem como a documentação de transporte quando este for utilizado como fertilizante ou corretivo orgânico. Esta abordagem abrangente permite a rastreabilidade do estrume desde a sua produção na exploração agrícola até à sua aplicação final no solo.

Em paralelo, as fazendas e os centros de gestão são obrigados a manter um Registro de Gestão de Dejetos AnimaisEste registro deve documentar movimentações, volumes, destinos e, quando aplicável, tratamentos aplicados. É fundamental para demonstrar a conformidade legal durante inspeções e auditorias e contribui para uma melhor organização interna da própria fazenda.

Pedidos oficiais de declaração e controle: AGSTI

Para facilitar o cumprimento dessas obrigações, algumas administrações desenvolveram ferramentas digitais específicas, como o aplicativo. AGSTI – Gestão de dejetos animais em Aragão, projetado para que centros de gestão e proprietários de fazendas possam enviar eletronicamente sua declaração anual de produção e gestão.

Por meio do acesso ao AGSTI, fazendas de criação intensiva de animais e centros de gestão podem inserir, atualizar e assinar eletronicamente O aplicativo armazena dados sobre a produção de esterco, destinos, áreas de recebimento e outros parâmetros relevantes. Ele permite que os usuários filtrem declarações, criem novas, anexem documentos e gerenciem as capacidades de armazenamento e distribuição.

A AGSTI tem manuais do usuário e vídeos explicativos Estes guias fornecem instruções passo a passo sobre como acessar, criar e validar declarações, bem como sobre como usar as diversas abas (Capacidades, Composição, Locais e Volumes, Entregas, Terrenos, Fertilizantes, Variações, Observações, etc.). Esta documentação de apoio é complementada por um serviço de suporte para solucionar dúvidas ou problemas técnicos.

Além disso, a ferramenta permite Importar dados usando arquivos do Excel (.xls e .xlsx em versões posteriores a 2003), o que agiliza o carregamento de grandes volumes de informação. Os modelos de arquivo e suas instruções podem ser baixados dos próprios manuais ou da plataforma, facilitando o trabalho de gestores e entidades colaboradoras.

Um elemento particularmente útil é o sistema de alertas automáticos e controles internos O AGSTI incorpora: alertas da aplicação quando a quantidade de estrume distribuída não corresponde à quantidade produzida, quando há excesso de nitrogênio por hectare ou quando a área utilizável de uma cultura é excedida, ajudando a detectar e corrigir erros antes do registro definitivo da declaração.

Compostagem e armazenamento de esterco bovino

Adaptação de autorizações e tipos de sistemas de gestão

Fazendas de criação intensiva de animais sujeitas a autorização ambiental integrada (AIE) Os titulares de licenças ambientais para atividades classificadas (LAC) devem adaptar as suas autorizações para refletir o sistema de gestão de dejetos animais que escolherem, dentro dos prazos estabelecidos pela regulamentação de cada comunidade autónoma.

Em muitos casos, a adaptação é realizada automaticamente assim que o proprietário notifica o órgão ambiental (por exemplo, um instituto regional de gestão ambiental ou o município competente) sobre a modelo de gestão de dejetos animais escolhidoIsso permite atualizar as condições de autorização ambiental, garantindo que as instalações e as capacidades de armazenamento estejam em conformidade com o plano de produção e a destinação do estrume.

Existem três opções comuns de sistema de gestão: o auto Gerenciamento (quando a fazenda tiver terra agrícola suficiente para absorver toda a produção de esterco), o desvio para um centro de gestão de dejetos animais (CGE) autorizado, ou um sistema misto em que a utilização de terrenos próprios é combinada com a entrega de excedentes a um centro de gestão.

Os centros de gestão de dejetos animais, por sua vez, devem adaptar-se. Licença ambiental e registro no cadastro SANDACH (Subprodutos Animais Não Destinados ao Consumo Humano) para refletir a atividade de coleta, armazenamento, tratamento e distribuição de esterco como adubo orgânico. Essas instalações atuam como elo intermediário entre fazendas de criação de animais e operações agrícolas ou florestais.

Em comunidades onde o uso de esterco como corretivo de solo é regulamentado, os centros de distribuição devem apresentar um Plano de Produção e Gestão de Esterco Juntamente com o pedido de autorização, os centros devem manter um registro detalhado de entradas, saídas e operações. Os centros já autorizados quando o decreto entra em vigor geralmente têm um prazo específico para adaptar sua documentação e apresentar este plano.

Declarações anuais, registros e prazos administrativos

As normas vigentes exigem que fazendas e centros de gestão apresentar declarações anuais Produção e gestão de dejetos animais, dentro de prazos que variam dependendo do tipo de instalação e da comunidade autônoma.

No caso de explorações pecuárias intensivas sujeitas a Autorização Ambiental Integrada (AAI) ou Cooperação Agrícola Local (CAL) e que possuam terrenos próprios, o prazo típico para apresentação da declaração anual é geralmente antes de 30 de junhoPara aqueles sujeitos ao LAC que não possuem terras, poderá ser exigida uma comunicação específica sobre a destinação do estrume em data anterior e, em caso de alterações subsequentes, a notificação dessas modificações antes do mesmo dia 30 de junho, através do procedimento correspondente.

Os centros de gestão de dejetos animais geralmente têm prazos um pouco mais curtos, por exemplo. antes de 31 de marçoEssas declarações são identificadas por meio de procedimentos específicos no sistema de administração eletrônica. Além disso, entidades colaboradoras (como as que processam auxílios da PAC) estão autorizadas a submeter essas declarações em nome das explorações agrícolas.

Em algumas campanhas, eles são estabelecidos. extensões específicasPor exemplo, a campanha de 2025, relativa aos dejetos animais gerados em 2024, pode permanecer aberta até 15 de novembro de 2025 para centros de gestão e explorações agrícolas, a fim de facilitar a adaptação às novas obrigações ou a resolução de possíveis incidentes técnicos no processamento online.

Ao mesmo tempo, a legislação de certas regiões (como o já mencionado Decreto 34/2013) exige que as explorações agrícolas com um recenseamento superior a um determinado número de Unidades de Gado apresentem um Plano de Produção e Gestão de Esterco No prazo de um ano a partir da entrada em vigor do decreto, todas as explorações agrícolas devem manter um Registo de Gestão. Os centros de distribuição devem também apresentar o seu próprio plano e adaptar as suas instalações de armazenamento dentro do prazo estabelecido (por exemplo, dois anos) para cumprirem os requisitos de capacidade e de segurança ambiental.

Plano de inspeção e controle para o manejo de dejetos animais

Para garantir que a produção e o manejo de esterco estejam em total conformidade com as normas, as autoridades aprovaram Planos de Inspeção e Controle específico para o período correspondente, no qual são definidos os procedimentos de supervisão e coordenação entre os diferentes departamentos.

Esses planos se concentram em áreas específicas, como: Gestão de resíduos, emissões atmosféricas e prevenção e controle integrados da poluição., a regulamentação de subprodutos animais não destinados ao consumo humano, a proteção das águas contra a poluição por nitratos e o cumprimento das recomendações de fertilização.

O plano de inspeção é aprovado em conformidade com as disposições dos decretos que regulamentam o manejo de dejetos animais e estabelece o medidas de controle, programação baseada no tempo e critérios de seleção de fazendas A ser inspecionado. O objetivo é ter uma visão global da conformidade e corrigir possíveis desvios por meio de requisitos, sanções ou recomendações técnicas.

A existência desses tipos de planos também incentiva as fazendas a aprimorarem seus sistemas de registro e organização interna, uma vez que a documentação (planos, registros, análises, contratos com centros de gestão, etc.) deve estar disponível e atualizada no momento das inspeções.

Os serviços provinciais e os escritórios agrícolas regionais desempenham um papel fundamental no coordenação, aconselhamento e processamento, disponibilizando aos agricultores canais de contato (telefone e e-mail) para resolver questões práticas relacionadas às obrigações de gestão de dejetos animais.

Compostagem e agrocompostagem avançada de esterco bovino

Por meio da compostagem, o esterco bovino é misturado com outras frações orgânicas estruturantes (restos de plantas, palha, subprodutos agrícolas, etc.) para ajustar a umidade e a relação carbono/nitrogênio, promovendo aeração e o desenvolvimento de uma flora microbiana que transforma a mistura em um composto estável e maduro, com menor teor de patógenos e odores.

Embora a compostagem seja uma técnica bem conhecida, sua aplicação eficiente requer protocolos adaptados a cada situaçãoEsses protocolos definem as misturas mais adequadas com base nas matérias-primas disponíveis, na frequência de revolvimento, no tempo de maturação e nos critérios de avaliação da qualidade do produto final. Eles também permitem avaliar o impacto nas emissões e destacar os benefícios agronômicos do composto resultante.

Neste contexto, foram desenvolvidos projetos específicos para gerar um Proposta de Melhores Técnicas Disponíveis (BAT) Aplicada à compostagem agropecuária avançada de esterco bovino, com foco claro na mitigação das mudanças climáticas. Protocolos aprimorados, de baixo custo e viáveis ​​foram desenvolvidos para o curto e médio prazo, podendo ser implementados sem grandes investimentos na maioria das propriedades rurais.

O resultado deste trabalho não se limita simplesmente à redução das emissões, mas também impulsiona a produção de biofertilizantes provenientes da compostagem agrícolaMelhorar a soberania dos fertilizantes nas áreas rurais e oferecer uma alternativa sustentável aos fertilizantes minerais sintéticos, que são cada vez mais caros e sujeitos à volatilidade de preços e restrições ambientais.

O aplicativo Provacuno DSS Manure como um sistema de apoio à decisão

Um dos avanços mais interessantes no manejo de dejetos bovinos é o desenvolvimento do Aplicativo móvel Provacuno DSS Estrume, promovida pela Organização Interprofissional da Carne Bovina (PROVACUNO) em conjunto com a Universidade Miguel Hernández (UMH) e a Universidade Politécnica de Valência (UPV).

É um tipo de ferramenta DSS (Sistema de Apoio à Decisão) que classifica fazendas e seus estercos Com base em seu sistema de gestão, o aplicativo utiliza dados inseridos pelo usuário sobre as práticas de manejo para vincular cada propriedade rural a diferentes categorias e estimar a produção e a composição do esterco gerado.

O aplicativo é gratuito e está disponível para dispositivos iOS e AndroidUtiliza um banco de dados próprio para caracterizar o esterco de bovinos de corte, no qual cada tipo de manejo é associado a uma composição nutricional aproximada, permitindo orientar sobre o valor fertilizante dos adubos obtidos.

Utilizando uma árvore de decisão predefinida, a ferramenta identifica Práticas de gestão que favorecem a obtenção de adubos orgânicos de maior qualidade.Cada vez que o agricultor insere dados ou atualiza informações, o aplicativo gera um relatório que pode ser salvo, permitindo que a fazenda construa seu próprio banco de dados histórico.

Essa abordagem permite a comparação de evolução da qualidade do esterco Com base nas alterações aplicadas na gestão (ajustes na mistura, modificação do sistema de armazenamento, implementação de compostagem, etc.), verificar como estas afetam a composição e o comportamento agronômico dos adubos resultantes.

Objetivos do projeto de agrocompostagem e o papel da UMH e da UPV

O aplicativo Provacuno DSS Manure faz parte de um projeto maior com o objetivo de Desenvolver as melhores técnicas disponíveis para compostagem agrícola avançada. de esterco de gado bovino, com foco na mitigação das mudanças climáticas e na viabilidade prática na fazenda.

Dentre os objetivos específicos, destacam-se os seguintes: geração de biofertilizantes por meio da agrocompostagem de esterco bovino, do desenvolvimento de protocolos de manejo de baixo custo e fácil aplicação, e da contribuição para a redução das emissões de amônia e gases de efeito estufa ao longo de todo o ciclo de manejo.

O projeto permitiu testar o uso desses biofertilizantes em parcelas agrícolas, verificando sua eficácia. efeito na fertilidade do solo e na produtividade das culturasbem como seu potencial para substituir parcialmente os fertilizantes minerais. Isso está alinhado com a estratégia de soberania em fertilizantes, que é especialmente relevante em contextos de aumento dos custos de insumos e da necessidade de reduzir a dependência externa.

A Universidade Miguel Hernández, por meio de seu Serviço de Planejamento de Inovação e Tecnologia (SIPT), liderou o desenvolvimento técnico do aplicativointegrando-o a um conjunto de ferramentas digitais voltadas para o setor agrícola e pecuário, que incluem, por exemplo, uma “calculadora de compostagem” para ajustar misturas e doses.

Por sua vez, a colaboração com a Universitat Politècnica de València contribuiu conhecimento científico e experimental Nas áreas de compostagem, emissões, qualidade dos adubos e gestão agronômica, foi possível desenvolver uma ferramenta prática, porém com sólida base técnica, para as operações diárias das fazendas de gado.

Cálculo de emissões, distribuição de nutrientes e área superficial mínima.

Uma parte fundamental do manejo de dejetos animais é saber Quanto esterco é gerado e quantos nutrientes ele contém. e qual a área de superfície mínima necessária para aplicá-lo de forma segura e eficiente, sem exceder os limites legais de aporte de nitrogênio.

As ferramentas oficiais de planejamento (como as telas "Cálculo de Emissões" e "Plano de Distribuição" de certos aplicativos regionais) coletam dados sobre a Quantidade anual de esterco produzido por espécie e tipo de resíduo (chorume, estrume sólido, etc.), bem como no teor de nitrogênio, fósforo, potássio e microelementos como cobre e zinco.

No caso de espécies como bovinos, ovinos, equinos e aves, a aplicação distingue o local de descarte proveniente de estrume (dentro de estábulos, prados, parques, pastagens extensivas, etc.), uma vez que a distribuição espacial de nutrientes se altera se o estrume for depositado diretamente no solo ou se acumular em fossas ou montes de estrume.

Quando uma espécie produz apenas um tipo de esterco, a composição média de nutrientes (por exemplo, kg de N por tonelada de esterco) é obtida dividindo-se o total de quilogramas de nitrogênio pelas toneladas produzidas. No caso de espécies que produzem vários tipos de esterco (por exemplo, chorume bruto e estrume sólido), o nitrogênio total removido e a quantidade anual de cada tipo estão disponíveis, sendo necessário atribuir a proporção de nutrientes a cada fração, seja utilizando tabelas de composição oficiais (como as do ITG Ganadero) ou resultados de análises laboratoriais realizadas de acordo com o protocolo.

Com base nesses dados, o aplicativo calcula um área de superfície mínima indicativa Esta informação é necessária para a distribuição de estrume, com base em limites de 250 kg N/ha ou 170 kg N/ha em áreas vulneráveis ​​à poluição por nitratos. Esta informação é essencial para determinar se a exploração agrícola tem terra suficiente ou se é necessário estabelecer acordos com outros agricultores ou centros de gestão.

Plano de distribuição: controle de frequência, dosagem e limites.

O “Plano de Distribuição” é o documento ou módulo onde ele é definido. Como, quando e onde o esterco é aplicado. produzido na fazenda, de maneira compatível com as necessidades das culturas e as restrições legais.

Para prepará-lo corretamente, vários elementos devem ser levados em consideração: o total de esterco produzido, a quantidade de nitrogênio a ser distribuída (derivada do cálculo das emissões), a área utilizável de cada cultura, a frequência de aplicação (anual, duas vezes ao ano, bienal, etc.), as necessidades nutricionais de cada cultura (de acordo com recomendações técnicas como as do ITG Agrícola) e o momento de aplicação recomendado ou desaconselhado.

Na prática, se a composição média do estrume (kg N/t) for conhecida, basta inserir esses dados no campo correspondente para que o aplicativo funcione corretamente. Calcule automaticamente os quilogramas de nitrogênio. Aplicado de acordo com a quantidade de estrume e a área designada. Em outros casos, você pode optar por inserir diretamente o kg de N, deixando o campo de composição média em branco, especialmente quando análises específicas estiverem disponíveis.

Exemplos típicos mostram como distribuir, por exemplo, 1200 toneladas de esterco com uma composição específica de nitrogênio em 40 ou 80 hectares, ajustando a área utilizada de acordo com a frequência de aplicação. A aplicação uma vez por ano ou várias vezes ao ano influencia a distribuição das doses por hectare e como o número de hectares utilizados se reflete no plano.

O aplicativo emite Avisos caso certos requisitos básicos não sejam atendidos.que a soma do estrume distribuído coincida com a produção anual total, que a quantidade total de nitrogênio aplicada seja a mesma que a calculada para distribuição, que a área utilizável disponível por cultura não seja excedida (levando em consideração a periodicidade) e que os limites de 250 kg N/ha ou 170 kg N/ha em áreas vulneráveis ​​não sejam ultrapassados.

Armazenamento, densidades e volume necessário

Outro aspecto crucial no manejo de dejetos bovinos é o dimensionamento correto do reservatório. instalações de armazenamentopara que possam absorver os picos de produção sem risco de transbordamentos ou derramamentos descontrolados.

Os resumos dos planos de distribuição geralmente mostram o esterco acumulado mês a mêsO volume de armazenamento necessário corresponde, na prática, ao mês em que o volume acumulado máximo é atingido. No entanto, como os dados são expressos em toneladas, é necessário convertê-los para metros cúbicos utilizando os valores de densidade.

As densidades padrão usadas em muitos guias técnicos distinguem entre esterco líquido e esterco sólido, com valores de referência como 1 t/m³ para estrume líquido, 0,80 t/m³ para gado leiteiro, 0,70 t/m³ para gado de corte reprodutor, 0,85 t/m³ para bezerros em engorda, 0,80 t/m³ para ovinos e equinos, 0,75 t/m³ para coelhos, 0,90 t/m³ para galinhas poedeiras, 0,50 t/m³ para frangos e perus de corte e 0,65 t/m³ para aves aquáticas gordas.

Em caso de ter análises de densidade realizadas de acordo com um protocolo e devidamente justificado à administração, um valor diferente do padrão pode ser utilizado, permitindo um planejamento mais preciso, especialmente em grandes propriedades rurais ou naquelas com características particulares de cama, umidade ou compactação do solo.

Ter capacidade de armazenamento adequada é essencial não apenas para cumprir a lei, mas também para ajustar o tempo de aplicação aos períodos agronomicamente mais favoráveis ​​(evitando períodos de risco de lixiviação ou solos saturados de água) e às recomendações técnicas sobre o calendário e as necessidades das culturas.

Informações por cultura e necessidades nutricionais

Uma vez definido o plano de distribuição, é necessário verificar, cultura por cultura, se as doses aplicadas são consistentes com o necessidades nutricionais e limites legaisIsso é feito usando telas ou gráficos de "Informações sobre a Cultura", onde os insumos totais de nitrogênio são resumidos (e, no caso de planos ajustados ao fósforo, também desse nutriente).

Nessas tabelas, o campo “N total kg/ha” deve ser menos de 250 kg/ha (ou 170 kg/ha em áreas vulneráveis). Além disso, o valor de "equivalente de N kg/ha", que leva em consideração o coeficiente de utilização de nitrogênio para cada cultura, deve estar abaixo dos requisitos recomendados, de acordo com o tipo de cultura (irrigada ou de sequeiro) e a zona agroclimática.

As ferramentas oficiais geralmente integram o Recomendações do Grupo de Trabalho de Informática Agrícola e do Grupo de Trabalho de Informática PecuáriaFornecendo diretrizes sobre as necessidades de nitrogênio por espécie e sistema de cultivo. Para planos focados em fósforo, uma verificação semelhante é realizada para evitar acúmulos excessivos que possam aumentar o risco de contaminação difusa.

Essa abordagem permite que o esterco bovino seja utilizado em um eficiente, apropriado e tecnicamente justificadoReduzir a dependência de fertilizantes minerais e evitar a fertilização excessiva, que não só representa um risco ambiental, como também uma despesa desnecessária para a fazenda.

Com toda essa rede de ferramentas, regras e protocolos, o manejo de dejetos bovinos tornou-se um processo muito mais técnico e estruturado, além de mais rentável a médio e longo prazo: os dejetos deixam de ser um problema para se tornarem um recurso estratégico dentro de uma produção agrícola que busca ser mais sustentável, eficiente e integrada ao meio ambiente.

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