Em outros artigos exploramos o características e tipos de casas ecológicas, destacando como estas casas podem reduzir o impacto ambiental das nossas atividades diárias em casa. Eles conseguem isso através materiais utilizados na sua construção, a orientação e pela estrutura, garantindo uma eficiência notável.
Agora com o projeto “No meu quintal”, a França dá um passo adiante, oferecendo uma solução humanitária e sustentável para a crise dos refugiados.
A primeira casinha ecológica para refugiados

O projeto “No meu quintal” propõe uma mini casa ecológica, removível e transportável, desenhado por quatro arquitectos espanhóis formados na Universidade de Alcalá de Henares, em colaboração com a associação Quatorze. As primeiras casinhas têm como destino Paris, onde serão instaladas nos jardins de famílias voluntárias que desejam acolhimento de refugiados e requerentes de asilo.
O projeto recebeu a primeira menção honrosa no concurso internacional de arquitetura social “From Border to Home”, realizado em Helsinque. Seu principal objetivo não é apenas oferecer abrigo temporário, mas também facilitar a integração social e combater a exclusão.

A primeira instalação de uma dessas casinhas acontecerá no jardim de um casal em Montreuil, cidade próxima a Paris. Tanto anfitriões como refugiados podem viver na mesma propriedade sem perder a privacidade, já que a pequena casa foi projetada para acomodar confortavelmente um casal de pessoas.
Um modelo arquitetônico sustentável
El O preço destas pequenas casas ronda os 20.000 euros., financiado através de crowdfunding. Nem os anfitriões nem os refugiados têm de pagar pela instalação ou manutenção das casas. As pequenas casas são construídas com uma abordagem sustentável, utilizando materiais locais e ecológicos, o que reduz o custo de transporte e as emissões.
A estrutura principal é fabricada com madeira sustentável, como madeira Douglas, muito popular na França devido à sua durabilidade e baixo impacto ambiental. Da mesma forma, o isolamento térmico destas pequenas casas é conseguido com cartão, um material muito eficiente graças às suas duas camadas e uma camada interna ondulada, que formam uma câmara de ar que proporciona uma das níveis mais elevados de isolamento na construção.
As pequenas casas são projetadas não apenas para manter uma baixa pegada de carbono, mas também para fornecer uma Conforto térmico ideal, garantindo que as condições de vida não sejam comprometidas durante as diferentes estações do ano.
Recursos e benefícios adicionais

As casas foram projetadas para contar com todos os elementos necessários ao dia a dia, incluindo uma cozinha, um banheiro com chuveiro e um quarto loft com espaço para uma cama de casal ou duas camas de solteiro. Além disso, o arranjo compacto e eficiente do 20 metros quadrados Permite que os refugiados tenham um espaço de vida digno, respeitando a sua privacidade e a dos seus anfitriões.
Apesar das actuais restrições orçamentais, as pequenas casas são concebidas para integrar painéis solares e sistemas de reciclagem de água, o que a longo prazo poderá reduzir o consumo de recursos em 80%. Embora estes sistemas não sejam implementados nas primeiras casas devido a restrições financeiras, continuam a ser uma opção viável para projetos futuros.
Outro aspecto fundamental é o apoio social que as famílias refugiadas recebem de organizações como ELAN e SAMU Social, que prestam acompanhamento personalizado para garantir uma boa integração social e laboral no país receptor.
O projeto “In my Backyard” caracteriza-se também pelo seu enquadramento colaborativo. Tanto os cidadãos locais como os refugiados participam na construção destes módulos, o que cria uma ponte cultural e profissional entre ambas as comunidades. É um estratégia inovadora que promove a coesão social e proporciona aos refugiados competências valiosas que podem aplicar nas suas novas vidas.
Em dois anos, espera-se que sejam construídas até 50 pequenas casas em diferentes regiões, atendendo à crescente procura de famílias dispostas a acolher requerentes de asilo nas suas terras.
Assim, este modelo de microcasas não só responde à necessidade de acolher os refugiados de uma forma mais digna e humana, mas também promove integração social através de uma solução arquitetônica sustentável e acessível.