A operação de transporte de parte dos resíduos gerados em Ibiza e Formentera para Maiorca entra numa fase chave, com uma Teste piloto planejado para o final de outubro ou início de novembro e os acordos financeiros e de gestão na reta final. As instituições envolvidas — o Governo das Ilhas Baleares, o Conselho de Maiorca e o Conselho de Ibiza — trabalharam em conjunto para ajustar a logística, os prazos e o financiamento.
Paralelamente, o movimento ambientalista elevou o seu tom: O GOB solicitou acesso ao arquivo completo que apoia a transferência, considerando que a movimentação de resíduos entre ilhas é uma medida "totalmente insustentável" e que tem 50 milhões de euros de fundos públicos para tornar isso possível.
O que foi acordado e quando o teste começará

O presidente do Consell de Mallorca, Llorenç Galmés, confirmou que o teste será lançado "entre o final de outubro e o início de novembro", assim que os detalhes finais forem finalizados. Por um lado, uma acordo econômico com o Governo que prevê uma contribuição de 50 milhões; por outro lado, a finalização do acordo específico com o Consell de Ibiza para regular o transporte temporário de resíduos.
O financiamento associado terá efeitos directos na ilha beneficiária: o Consell de Mallorca prevê uma Redução de 10% na taxa de resíduos para as famílias a partir do próximo ano. Esse alívio, segundo a instituição, faz parte dos compromissos legislativos e está vinculado à compensação pelo recebimento da parcela enviada pelos Pitiüses.
O teste servirá para validar a cadeia logística completa (embalagem, armazenagem, transporte terrestre e marítimo) e medir custos e tempos. As autoridades maiorquinas enfatizam que o piloto não garante a solução final, mas sim fornece dados para decidir se a transferência for mantida ou escolha outro caminho.
Em Ibiza, o processo de participação pública sobre o futuro dos resíduos continua. A instituição da ilha adiou a publicação dos resultados dado o volume de contribuições (cerca de 600), e anunciou que os dados piloto serão serão levados em consideração antes da decisão final.
Principais números e situação em Ibiza e Maiorca
Ibiza e Formentera geram cerca de 125.000 toneladas de resíduos. Aproximadamente o 70% é a fração restante, que atualmente está sendo depositado no aterro sanitário de Ca na Putxa (Santa Eulària). A vida útil desta instalação é limitada, com o fim da vida útil exaustão em 2028, o que exige a definição urgente de alternativas.
Em Maiorca, os resíduos de Ibiza e Formentera seriam tratados no Planta Son Reus, uma instalação de incineração cuja escala, em relação à população que atende, já gerou debate. Ambientalistas apontam que, nesses processos, cerca de 30% do material acaba como cinzas e escória que vão parar em aterros sanitários.
O depósito de cinzas cimentadas Em Maiorca, a sua vida útil é estimada até 2034. O GOB alerta que um aumento na incineração reduziria esse prazo e deslocaria o problema para o médio prazo, além de acrescentar emissões e outros impactos relacionado à combustão de resíduos.
A organização ambientalista destaca que o envio de resíduos para incineração representa uma retrocesso da hierarquia europeia, que prioriza a redução, a reutilização e a reciclagem em detrimento da recuperação energética. Em sua opinião, investir nessa abordagem desencoraja melhorias locais em coleta separada e tratamento da fração orgânica.
Posição das organizações ambientais e debate público

O GOB solicitou a documentação completa do processo: relatórios técnicos e jurídicos, acordos e convenções que respaldam a transferência. Baseia sua solicitação no direito de acesso à informação pública e ambiental e pede máxima transparência, dada a importância econômica e ambiental da operação.
A organização sustenta que o problema é transferido de uma ilha para outra com dinheiro público e que a ideia choca com os discursos institucionais sobre sustentabilidade e economia circular. Ele também critica que perpetua um modelo centralizado gestão, vinculada à concessionária TIRME, em vez de reforçar a responsabilidade insular e municipal.
Grupos e entidades de bairro manifestaram preocupação; o GOB e o Associação de Moradores Son Sardina já realizaram reuniões sobre o que consideram uma ameaça ambiental e social. Do outro lado do debate, vozes como a de GEN Eles até sugeriram que, se não houvesse uma alternativa viável, Ibiza poderia ser forçada a construa seu próprio incinerador, mesmo que o considerem um mal menor.
Enquanto isso, o Consell de Ibiza está trabalhando com o UTE Giref nos estudos de viabilidade técnica e económica de transporte, acondicionamento e armazenagem, e na relatórios jurídicos para esclarecer se a transferência se enquadra na concessão atual ou exige um novo contrato. O Governo, por sua vez, demonstrou a intenção de promover mudanças no REB para facilitar a compensação do transporte marítimo de resíduos entre ilhas.
No plano político, o Consell de Mallorca defende que o plano é estratégico para o arquipélago, que o teste não condiciona a decisão final e que, com os 50 milhões, ganha-se tempo e margem tarifária enquanto se avaliam soluções de longo prazo para os Pitiüses.
Com os prazos do piloto definidos, o dinheiro comprometido e a população mobilizada, o cenário permanece em aberto: ou a implantação temporária em Son Reus é mantida com garantias econômicas e ambientais suficientes, ou Ibiza acelera sua própria solução para evitar a saturação de Ca na Putxa. O que acontecer nas próximas semanas — incluindo as informações que surgirem do processo e os resultados do piloto — será decisivo para uma decisão de longo alcance que afetarão a gestão de resíduos nas Ilhas Baleares na próxima década.
