Perda de carbono na Amazônia devido ao aquecimento global

  • A Amazônia começou a emitir mais carbono do que pode absorver.
  • As secas e a desflorestação estão a enfraquecer a sua função como sumidouro de CO2.
  • Os povos indígenas desempenham um papel fundamental na preservação do carbono da Amazônia.
  • Ultrapassar os 20% de desmatamento na Amazônia pode ser catastrófico.

Amazonas

Dados fornecidos durante mais de uma década por dois satélites de monitorização da Terra lançados pela NASA Eles confirmam o que já se suspeitava há algum tempo. As chuvas diminuíram no Amazona, causando uma perda notável da cobertura vegetal. Isto não afeta apenas a biodiversidade, mas tem implicações globais, uma vez que a floresta amazônica armazena menos Carbono, o que contribui ainda mais para o aquecimento global. Sem capacidade de absorção, esse carbono retorna à atmosfera, agravando as condições climáticas e reduzindo ainda mais as chuvas na região.

O impacto das mudanças climáticas na Amazônia

A Amazônia, conhecida como “pulmão do planeta”, tem sido um sumidouro crucial de dióxido de carbono (CO2) devido ao seu vasto tamanho e densidade florestal. Porém, na última década, a Amazônia começou a apresentar uma mudança alarmante em seu comportamento, passando de sumidouro a fonte de carbono, emitindo mais CO2 do que absorve. Este fenômeno se deve em grande parte a dois fatores principais:

  • Desmatamento: A derrubada de árvores para agricultura e pecuária é uma das principais causas da perda da capacidade da Amazônia de absorver carbono.
  • Incendios florestais: Estes incêndios, sejam causados ​​ou naturais, estão a devastar milhões de hectares de floresta tropical, libertando grandes quantidades de carbono armazenadas durante séculos.

Segundo estudos recentes, o sudeste da Amazônia é uma das áreas mais afetadas, emitindo até três vezes mais carbono do que é capaz de absorver. Isto sugere que estamos a chegar a um ponto sem retorno para a Amazónia, levantando sérias questões sobre o futuro deste bioma e o seu papel na regulação do clima global.

As chuvas e o ciclo da água na Amazônia

Perda de carbono

Outro aspecto fundamental que sofreu alterações devido ao aquecimento global e ao desmatamento é o ciclo da água na Amazônia. A floresta tropical é responsável por gerar grande parte de suas próprias chuvas, liberando grandes quantidades de água na atmosfera por meio da evapotranspiração das plantas. Esses “rios voadores” são essenciais não só para a região amazônica, mas também para outras partes da América do Sul. O desaparecimento desta humidade poderá causar secas florestais extremas, afectando directamente a agricultura e o abastecimento de água nas áreas próximas.

Principais pesquisas sobre perda de carbono na Amazônia

Impacto do desmatamento

Nos últimos anos, foram realizadas diversas investigações que revelaram a gravidade da situação. Estudos recentes mostraram que cerca de 20% da floresta foi derrubada ou degradada desde a década de 70. Em 2019-2020, a Amazônia já emitia mais do que capturava. Na verdade, alguns estudos documentaram que as emissões de carbono em algumas regiões, como o sudeste da Amazônia, são até 10 vezes maiores do que em outras.

Uma das investigações mais relevantes foi feita por Luciana Gatti, do Instituto Espacial Brasileiro (INPE), que utilizou aviões para coletar amostras de ar sobre diferentes partes da Amazônia. Este estudo confirmou que a taxa de desmatamento no lado leste é significativamente maior do que no oeste, o que faz com que este setor da Amazônia seja um emissor líquido de carbono. As mudanças nos padrões de precipitação e as temperaturas extremas estão a afectar drasticamente as árvores, o que significa que cada vez mais carbono será libertado na atmosfera.

Emissões de dióxido de Carbono

A utilização dos satélites Terra e Aqua da NASA permitiu aos investigadores monitorizar estas mudanças em detalhe. O Terra tem sido usado principalmente para estudar a cobertura vegetal, enquanto o Aqua se concentra no ciclo da água, fornecendo uma visão geral de como as mudanças climáticas estão afetando a capacidade da Amazônia de funcionar como um sumidouro de carbono.

Ameaças atuais: alterações climáticas e desflorestação

As alterações climáticas e a desflorestação estão a exercer uma pressão conjunta sobre a Amazónia. As secas prolongadas, causadas em parte por fenómenos como o El Niño, estão a tornar as condições cada vez mais hostis à vegetação. A desflorestação, por seu lado, transformou vastas extensões de floresta tropical em terras agrícolas ou de pastagem, reduzindo significativamente a capacidade da Amazónia de absorver dióxido de carbono.

Segundo diversos estudos, chegar a 20% de desmatamento na Amazônia pode ser o ponto sem volta. Ultrapassar esse limite provavelmente provocaria o colapso do ecossistema amazônico, transformando a floresta tropical em uma savana seca. Isto libertaria dezenas de milhares de milhões de toneladas de carbono, impulsionando ainda mais o aquecimento global.

Perda de carbono Amazônia

O papel dos povos indígenas na preservação do carbono

Um dos elementos positivos na luta contra a perda de carbono na Amazônia são os povos indígenas. Foi demonstrado que as terras administradas por comunidades indígenas apresentam taxas muito mais baixas de desmatamento e degradação florestal. Na verdade, as florestas indígenas da Amazônia têm sido importantes sumidouros de carbono, capturando milhões de toneladas de CO2 por ano.

Um estudo recente revelou que 58% da biomassa da Amazônia se encontra em territórios indígenas e áreas protegidas. Estes territórios têm sido fundamentais para evitar que o aquecimento global seja ainda mais severo, devido à sua capacidade de manter reservas de carbono. Em comparação, as terras fora dessas áreas sofrem muito mais com o desmatamento.

As políticas de conservação implementadas em terras indígenas são um exemplo claro de como a proteção florestal poderia ser ampliada. No entanto, os povos indígenas enfrentam cada vez mais pressões externas, como a mineração ilegal, a exploração madeireira e os conflitos fundiários. Esses fatores colocam em risco a capacidade dessas comunidades de continuarem protegendo a Amazônia.

A situação na Amazônia é grave e complexa. As interacções entre a desflorestação, as alterações climáticas e os factores socioeconómicos estão a levar este ecossistema crucial à beira do colapso. É urgente tomar medidas, tanto locais como globais, para proteger o que resta deste pulmão do planeta.