Privatização de quatro barragens patagônicas em Comahue

  • O governo argentino recebeu propostas de US$ 685 milhões para privatizar quatro importantes barragens hidrelétricas em Comahue.
  • As usinas Piedra del Águila, El Chocón-Arroyito e Alicurá já têm premiadas preliminares, enquanto Cerros Colorados irá para o desempate.
  • Os novos concessionários terão de investir na modernização, manutenção e operação segura dos complexos durante 30 anos.
  • O processo faz parte de uma estratégia mais ampla para reconfigurar o sistema hidroelétrico e abri-lo ao capital privado.

Barragens da Patagônia em processo de privatização

O governo argentino deu um passo decisivo em seu plano para privatização de quatro barragens na Patagônia localizada na região de Comahue, confirmando que recebeu ofertas financeiras totalizando 685 milhões de dólaresEssas usinas hidrelétricas, localizadas nos rios Limay e Neuquén, são peças-chave no mapa energético do país, contribuindo com cerca de 15% da geração de energia nacional

A operação consiste na venda do capital social das empresas que administram os complexos. Alicurá, El Chocón-Arroyito, Piedra del Águila e Cerros ColoradosCom isso, o Estado argentino busca transferir a operação e a manutenção dessas infraestruturas para o setor privado, sob um regime de concessão de longo prazo e com obrigações de investimento significativas.

Licitações totalizando US$ 685 milhões e adjudicações iniciais.

Proposta econômica para barragens na Patagônia

Segundo o Ministério da Economia, as seguintes empresas participaram do concurso: oito empresas e consórciosEmbora nove propostas tenham sido inicialmente consideradas em etapas anteriores, algumas das quais foram posteriormente combinadas, a soma das melhores propostas para cada concessão garante uma receita mínima de 685 milhões de dólares, acima de 500 milhões que o Executivo estimou arrecadar no início do processo.

O Ministro da Economia, Luis CaputoEle comunicou os resultados preliminares por meio de sua conta na rede social X, onde enfatizou que “Isso reafirma o interesse do setor privado em investir na Argentina quando as regras são claras.”O Ministério das Finanças enfatiza que a competição entre grupos locais e internacionais foi intensa, com várias propostas muito próximas umas das outras.

Três das quatro barragens já têm premiados definidos preliminarmenteO quarto complexo terá de ser resolvido em um processo separado. Com isso, o Governo considera concluída a fase de abertura das propostas financeiras e passa agora para uma etapa mais administrativa e jurídica, anterior à adjudicação final, que se espera ser concluída antes do final do ano.

Além do pagamento inicial pelo pacote de ações, as empresas vencedoras assumirão o compromisso de Faça investimentos para modernizar os equipamentos e reforçar a segurança operacional. e garantir a continuidade do serviço. Essa combinação de taxa e plano de investimento é um dos principais argumentos que a administração usa para justificar a privatização perante o público.

Quem ficará com a responsabilidade de manter cada uma das barragens de Comahue?

No caso da usina elétrica AlicuraA oferta mais vantajosa foi apresentada por Edison Investments, que envolvia cerca de 162 milhões de dólaresEssa proposta superou a da operadora atual, a empresa americana. AES, que ele havia colocado sobre a mesa perto 130 milhões de dólaresCom esse resultado, o complexo passará para as mãos de um grupo empresarial com capital majoritariamente argentino.

Para a barragem de Pedra da ÁguiaA melhor oferta veio de Porto Central, um dos intervenientes mais relevantes no setor energético local, que ofereceu 245 milhões de dólaresDessa forma, a empresa garante a continuidade da operação dessa usina, uma das mais importantes do sistema hidrelétrico patagônico.

No bloco formado por El Chocón e ArroyitoA disputa foi particularmente acirrada. A proposta vencedora foi de Energia Verde da MSU (BML), que oferecia cerca de 235,6 milhões de dólares, superando a oferta italiana Enel, a operadora atual, que havia apresentado um valor próximo de 172,2 milhões de dólaresA diferença econômica foi o fator decisivo que favoreceu o consórcio argentino.

A situação é diferente no caso de Colinas VermelhasEmbora a melhor oferta também fosse de Energia Verde da MSU, com cerca de 41,7 milhões de dólares, a proposta de Edison Investments Chegou muito perto, com alguns 38 milhões de dólaresOu seja, uma diferença inferior a 10%. Isso exige a abertura de um instância de desempate, conforme descrito nas especificações da licitação.

Um processo em duas etapas: pré-qualificação e competição econômica.

O processo de privatização das quatro barragens da Patagônia se desenrolou em várias fases. Primeiro, o Ministério da Economia lançou um Concurso Público Nacional para a venda da participação acionária nas empresas que administram os complexos hidrelétricos. A partir daí, um período de pré-qualificação técnica e jurídica para filtrar potenciais licitantes.

Nessa fase inicial, foram avaliadas informações básicas, tais como: Experiência na operação de grandes usinas hidrelétricas, solvência financeira e conformidade regulatória.O resultado foi uma lista de sete consórcios pré-qualificados, incluindo operadores já presentes no país, como... Enel, AES Argentina, Central Puerto-Central Costanera e Orazul, bem como grupos liderados por Edison, Aluar-Genneia e Pampa Energia.

Ao mesmo tempo, a comissão de avaliação decidiu Rejeitar a oferta da IPS Renewalporque se considerou que não cumpria os requisitos mínimos de experiência técnica ou certos critérios legais estabelecidos nas especificações do concurso. Essa decisão foi formalizada no Resolução 1910 / 2025 Publicado no Diário Oficial, onde as condições do concurso são detalhadas.

Após passarem pelo filtro de pré-qualificação, eles avançaram para a fase decisiva: a abertura das ofertas econômicasO processo de licitação, que ocorreu por meio da plataforma eletrônica CONTRAT.AR em um evento público agendado para as 10h, revelou tanto a taxa oferecida por cada usina quanto os compromissos de investimento associados às futuras operações.

Detalhes do pacote de ações e termos de concessão

A operação não consiste na venda direta das barragens como ativos físicos, mas sim na transferência de capital social das empresas que os gerenciam. Especificamente, o pacote em questão compreende o 51% das ações da Classe “A”, o 47% das ações da Classe “B” e o 2% das ações da Classe “C”, o que na prática implica uma mudança completa no controle das empresas gestoras.

As empresas envolvidas são Alicurá Hidroeléctrica Argentina SA, Hidrelétrica Chocón Argentina SA, Hidrelétrica Cerros Colorados Argentina SA y Piedra del Águila Hidroelétrica Argentina SATodas elas fazem parte da rede de empresas ligadas ao setor energético público argentino, incluindo ENARSAcujo processo de privatização é viabilizado por regulamentações como leis 23.696 e 27.742.

Os novos operadores obterão a concessão para vender eletricidade pelos próximos 30 anosEste prazo permite a amortização dos investimentos planejados em modernização e manutenção. Até a efetiva transferência da gestão, as usinas continuarão sendo operadas pelas concessionárias anteriores, cujos contratos originais de 30 anos expiraram há mais de dois anos.

Do ponto de vista do Governo, o regime de concessões combina o objetivo de para obter receita tributária imediata por meio da venda de ações, com o objetivo de impulsionar Novos investimentos privados em infraestrutura energética, sem que o Estado tenha que assumir diretamente esses custos em um contexto de restrições orçamentárias.

Obrigações de investimento e modernização para os novos proprietários

Um dos pontos centrais da licitação é a exigência de que os futuros concessionários assumam um compromisso claro com Investimento em obras, renovações e infraestruturaNão se trata apenas de manter o estado atual das usinas de energia, mas de garantir que sua operação seja eficiente. seguro, eficiente e ambientalmente sustentável durante todo o período da concessão.

Dentre as condições, destacam-se tarefas como as seguintes: renovação de equipamentos eletromecânicosO projeto inclui melhorias nos sistemas de controle e proteção, a adaptação dos protocolos de segurança contra inundações e a implementação de tecnologias que aumentam a eficiência energética. Essas obrigações somam-se aos trabalhos regulares de operação e manutenção, que permanecem sob a responsabilidade exclusiva dos contratados.

As autoridades oficiais insistem que a ampla participação das grandes empresas de energia elétrica demonstra uma forte interesse em operar e modernizar Um dos complexos hidrelétricos mais importantes da Argentina, o que o governo interpreta como um sinal de confiança no atual marco regulatório. A expectativa oficial é que os novos investimentos se traduzam em maior estabilidade para o sistema elétrico e em um uso mais eficiente dos recursos hídricos.

Em paralelo, o Governo deixou claro que o processo foi concebido segundo critérios de concorrência, transparência e maximização do valor dos ativos públicosA combinação de filtros técnicos, publicação de documentos de licitação e uso de plataformas eletrônicas para recebimento de propostas faz parte dessa tentativa de demonstrar um procedimento aberto e verificável, o que é especialmente importante em um setor estratégico como o de energia.

Contexto político e energético da privatização

O anúncio das licitações para as quatro barragens da Patagônia foi acompanhado por mensagens políticas de grande repercussão. O presidente Javier Milesi comemoraram o início da fase de vendas com um estrondoso “Começam as privatizações” em suas redes sociais, reforçando que esse processo faz parte do programa geral de privatização que sua administração vem promovendo desde o início de seu mandato.

No setor energético, o movimento faz parte de um plano mais amplo para reconfiguração do sistema hidroelétrico e uma revisão do papel do Estado como operador direto. Além das barragens de Comahue, o Governo já iniciou os preparativos para conceder concessões para outras. sete usinas hidrelétricas cujos contratos expiram entre o final de 2025 e meados de 2026.

Esses complexos incluem Futaleufú, Cabra Corral, El Tunal, Ullum, El Cadillal, Escaba e Pueblo ViejoPara essas instalações, a empresa estatal Enarsa, que atualmente controla sua operação, lançou auditorias técnicas O objetivo é avaliar o estado do maquinário e quantificar os investimentos necessários antes de uma possível reprivatização.

Essa estratégia responde à intenção oficial de reduzir a presença direta do Estado na gestão de ativos energéticos.Embora estejam em curso esforços para atrair capital privado para a renovação da infraestrutura obsoleta, o debate público sobre o impacto dessas políticas nas tarifas, no emprego e no controle de recursos estratégicos permanece aberto e continua a gerar opiniões divergentes na sociedade argentina.

Com as propostas financeiras agora em discussão, o processo de privatização das quatro barragens da Patagônia entra em uma fase decisiva: restam apenas os procedimentos administrativos finais, incluindo a resolução do impasse em Cerros Colorados e a formalização das adjudicações. Essas etapas determinarão quais atores privados administrarão uma parte fundamental da região nas próximas décadas. coração hidroelétrico da Patagônia.

Venda/privatização de usinas hidrelétricas
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