Pemex abre a porta ao fracking para impulsionar o gás

  • A Pemex planeja desenvolver depósitos com geologia complexa e potencial não convencional.
  • Meta de gás: até 5.000 mmpcd e menor dependência de importações.
  • Contratos mistos e um veículo financeiro impulsionariam os projetos.
  • O fracking reacende o debate sobre o uso da água, emissões e saúde pública.

Fracking e gás natural

Com o novo Plano Estratégico da Pemex, o Governo de Claudia Sheinbaum reativou o debate sobre a fraturamento hidráulico no MéxicoO roteiro da petrolífera visa explorar e desenvolver depósitos de “geologia complexa”, um eufemismo que, para muitos especialistas, abre portas para recursos não convencionais que geralmente requerem fraturamento hidráulico.

O objetivo é aumentar a disponibilidade de gás natural nacional e reduzir a dependência de importações, recorrendo a contratos mistos e a novos esquemas de financiamento. Entretanto, grupos ambientais e especialistas em saúde pública alertam para a riscos para a água, o clima e as comunidades vinculado a esta técnica.

O que o novo plano da Pemex propõe?

O Plano Estratégico 2025-2035 da empresa prevê maximizar os campos existentes, abrir áreas de fronteira e avaliar as áreas de baixa permeabilidade, com o objetivo de atingir até 5.000 bilhões de pés cúbicos por dia de gás por volta de 2028. A estratégia é acompanhada por um veículo financeiro administrado pelo Banobras por até 250.000 milhões de pesos e faz parte de um esforço para redirecionar uma dívida de quase 100.000 milhões de dólares.

Paralelamente, a produção de O gás da Pemex caiu mais de 6% No primeiro semestre do ano, a produção atingiu pouco mais de 3.500 mmcfd, bem abaixo dos níveis de uma década atrás. No petróleo bruto, a produção foi de cerca de 1,6 milhões de barris por dia, o que explica a urgência de fortalecer o gás como alavanca para a geração de energia elétrica e autossuficiência.

Operações de fraturamento hidráulico

Áreas alvo e potencial geológico

O documento oficial identifica um potencial de cerca de 64.000 bilhões de barris de petróleo bruto equivalente em formações complexas, com foco em bacias Tampico-Misantla, Sabinas-Burro Picachos e Burgos, bem como em projetos na Bacias do Sudeste e pela Bacia de VeracruzSão sistemas de baixa permeabilidade onde predominam gás seco, gás úmido e óleos leves.

A contribuição destes recursos não convencionais seria modesto entre 2026 e 2028, com expectativa de volumes mais relevantes a partir de 2029. A estratégia toma como referência a experiência de outros países como a Argentina, onde o fraturamento hidráulico alterou a curva de produção.

O México consome um pouco mais de 8.700 mmpcd de gás processado e abrange cerca de 75% com importações, mais de 90% dos quais vêm dos Estados Unidos, onde o gás de xisto domina a oferta. Reduzir essa exposição externa é uma das principais motivações do plano.

O gás natural é a chave para a eletricidadeCerca de dois terços da demanda por gás provêm de usinas geradoras, e mais de 60% da energia do país é produzida com esse combustível. Reduzir os gargalos de fornecimento e expandir a produção nacional estão entre as prioridades do novo governo.

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Fraturamento hidráulico: como funciona e o que está sendo discutido

O fracking envolve a injeção em alta pressão água, areia e aditivos em formações rochosas para gerar microfraturas e liberar gás ou óleo aprisionados. Normalmente envolve perfuração vertical e ramos horizontais estendendo-se por vários quilômetros em folhelhos de baixa permeabilidade.

A indústria e alguns reguladores enfatizam que na última década houve projetos de poços aprimorados, perfuração e completação para minimizar impactos, com maior controle sobre a gestão de fluidos e proteção de aquíferos. Economistas do setor financeiro enfatizam que o aproveitamento desses recursos poderia atrair investimento privado e aliviar as restrições orçamentárias.

Organizações ambientais e acadêmicas argumentam que os riscos persistem: uso intensivo de água, emissões fugitivas de metano e poluentes potenciais como benzeno, tolueno ou compostos orgânicos voláteis. Nos Estados Unidos, o consumo por poço foi documentado como tendo excedido cerca de 18 a 38 milhões de litros em Eagle Ford (2010-2017) e aumentos de até 770% na Bacia do Permiano, com muitos poços excedendo o 60 milhões de litros e até mesmo recordes próximos a 151 milhões de litros.

Também são mencionados efeitos na saúde associados à exposição a misturas químicas e partículas finas, e à necessidade de monitoramento independente, transparência e participação pública. Os críticos negam que o gás fóssil seja um combustível de transição e apelar à aceleração de alternativas renováveis.

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