O Plano de Descarbonização do Porto de Avilés ganha forma.

  • Investimento de 2,5 milhões de euros para transformar o modelo energético do Porto de Avilés.
  • Meta de alcançar 50% de autoconsumo de eletricidade proveniente de fontes renováveis ​​até 2030.
  • Instalação de mais de 1.100 kWp de sistemas fotovoltaicos e redução de mais de 390 toneladas de CO₂ por ano.
  • Implementação da norma ISO 50001, eletrificação da frota e aquisição de energia 100% renovável.

Plano de Descarbonização do Porto de Avilés

O Porto de Avilés deu um passo importante na sua transição energética com a apresentação de um Roteiro para a Descarbonização que visa mudar fundamentalmente a forma como consome e gere energia. A Autoridade Portuária de Avilés (APA) estabeleceu a meta de que, em poucos anos, metade da eletricidade utilizada pelo porto provenha de fontes renováveis ​​geradas nas suas próprias instalações.

Essa estratégia se materializa em um Plano de Descarbonização Esta iniciativa combina investimento em energias renováveis, eficiência energética e mudanças operacionais. Conta com a colaboração técnica da NTT DATA e o envolvimento de grande parte da comunidade empresarial que opera na área portuária, criando um projeto compartilhado que vai além de uma simples modernização tecnológica.

Um plano ambicioso com horizonte para 2030.

O cerne do plano envolve garantir que o 50% do consumo de eletricidade do Porto de Avilés será coberta por energia renovável de autoconsumo até 2030. Para atingir esse objetivo, a APA planeja um investimento total de 2,5 milhões de eurosDesse montante, 2,2 milhões serão destinados a novos projetos de geração de energia renovável e 300.000 mil euros a medidas de eficiência energética e outras ações complementares.

O roteiro define um implantação faseada ao longo dos próximos quatro ou cinco anosEsses projetos faseados envolverão a implementação de diversas instalações e soluções tecnológicas. Não se trata de um projeto isolado, mas sim de um cronograma de ações em etapas que permitirá a adição gradual de capacidade de energia renovável e melhorias operacionais sem interromper a atividade portuária.

Segundo estimativas iniciais, as novas instalações permitirão superar o 1.100 kWp de energia fotovoltaica Instalada no porto, com uma produção anual projetada de cerca de 1,1 GWh. Essa geração renovável terá um impacto direto na conta de eletricidade da APA e na redução das emissões.

Em termos ambientais, o plano prevê um redução de mais de 390 toneladas de CO₂ por anoEste dado coloca o cais de Avilés no caminho definido pelo Quadro Estratégico dos Portos do Estado em termos de sustentabilidade e neutralidade climática, e o posiciona em relação a empresas poluidoras espanholas.

Implantação de energia fotovoltaica e armazenamento

Um dos pilares fundamentais do Plano de Descarbonização é o Instalação de sistemas de geração fotovoltaica distribuídas por diferentes áreas do porto. A Autoridade Portuária planeja utilizar telhados de edifícios, coberturas e espaços em terrenos portuários para maximizar a captação de energia solar sem interferir nas operações diárias.

Essas instalações fotovoltaicas não apenas injetarão energia na rede interna do porto, mas também serão acompanhadas por sistemas de armazenamento Isso permitirá uma melhor gestão dos picos de produção e consumo. Dessa forma, o porto poderá aumentar sua capacidade de autoconsumo e reduzir sua dependência da rede elétrica durante períodos de maior demanda.

A combinação de geração e armazenamento distribuídos também proporcionará uma maior resiliência energéticaIsso é especialmente relevante em um ambiente crítico como o portuário, onde a continuidade do fornecimento é fundamental para a competitividade e a segurança das operações.

Este investimento em energia fotovoltaica está em consonância com as tendências observadas em outros portos espanhóis e europeus, onde a ocupação de espaços subutilizados A utilização de painéis solares tornou-se uma das formas mais eficazes de reduzir a pegada de carbono a curto e médio prazo.

Sistema de gestão de energia e eficiência operacional

Além da geração de energia renovável, o plano inclui a implementação de um Sistema de Gestão de Energia certificado segundo a norma ISO 50001.Essa ferramenta será responsável por monitorar e otimizar o consumo da APA, permitindo detectar ineficiências, ajustar os horários de funcionamento e priorizar o uso de energia renovável quando disponível.

A implementação deste sistema será acompanhada por medidas de treinamento e conscientização Essas iniciativas são direcionadas aos funcionários e a diversos departamentos da Autoridade Portuária. O objetivo é que a eficiência energética deixe de ser um conceito abstrato e se torne uma prática diária integrada à gestão portuária.

Com essa abordagem, espera-se alcançar um economias significativas de energiaIsso afetará tanto o consumo quanto os custos operacionais. Reduzir o desperdício de energia e alinhar melhor a demanda com a oferta de energia renovável disponível serão fundamentais para que o porto alcance suas metas de autoconsumo e descarbonização.

Este componente de gestão também contribuirá para melhorar o modelo energético do porto, reforçando a sua capacidade de garantir o abastecimento mesmo em contextos de volatilidade de preços ou alterações regulamentares, algo que já se verifica noutros centros logísticos europeus.

Eletrificação da frota e dos equipamentos portuários

Outra parte relevante do plano é a eletrificação progressiva da frota portuáriaA APA anunciou que começará a substituir seus veículos com motor de combustão interna por modelos 100% elétricos, com uma redução esperada de mais de 45 toneladas de CO₂ por ano associada a essa mudança tecnológica.

A renovação da frota de veículos será acompanhada por instalação de pontos de carregamento, incluindo carregadores bidirecionais que permitirão a exploração de soluções avançadas, como a tecnologia veículo-rede (V2G), contribuindo para uma melhor gestão de energia em toda a área portuária.

O plano também inclui o eletrificação de guindastes e outros equipamentos auxiliares que atualmente dependem de combustíveis fósseis. Esses tipos de ações são especialmente relevantes no ambiente portuário, onde o maquinário pesado tem um impacto significativo nas emissões locais.

Além disso, o uso de Combustíveis alternativos onde a eletrificação direta ainda não é viável, sempre com o objetivo de reduzir as emissões e melhorar a qualidade do ar na área circundante do porto e da cidade de Avilés.

Aquisição de energia 100% renovável e fortalecimento do modelo energético.

Para complementar sua própria produção de eletricidade, a Autoridade Portuária planeja garantir que o restante de seu consumo venha de Energia renovável 100% certificada por meio de Garantias de Origem. Dessa forma, mesmo a parcela da demanda que não puder ser atendida pelo autoconsumo será suprida por fontes limpas.

Esta decisão permitirá que o perfil de consumo de eletricidade do Porto de Avilés esteja totalmente alinhado com o objetivos climáticos e regulatórios marcadas a nível estadual e europeu, reduzindo a intensidade de carbono associada às suas operações.

Ao mesmo tempo, o plano busca um Fortalecimento do modelo energético portuárioIsso aumenta a capacidade da APA de gerenciar seus próprios recursos e se adaptar a possíveis mudanças no mercado de eletricidade. Ter seus próprios contratos de geração renovável, armazenamento e fornecimento de energia verde proporciona uma margem adicional de estabilidade.

Tudo isso faz parte da estratégia para melhorar o competitividade do porto dentro do sistema portuário estatalOnde a capacidade de oferecer serviços de logística com baixas emissões está se tornando cada vez mais importante, algo que os expedidores e operadores internacionais valorizam cada vez mais.

Um projeto compartilhado com o ecossistema portuário.

O desenvolvimento do Roteiro de Descarbonização não foi um processo isolado e burocrático. A APA contou com a colaboração de participação ativa de inúmeras empresas e entidades que operam no ambiente portuário de Avilés, formando um projeto colaborativo.

Os agentes envolvidos incluem Autoridade Marítima, Rebocadores de Avilés, Alvargonzález, Autoridade Marítima do Principado, Novo Mercado de Peixe de Avilés, AZSA, Windar Renewables, Marina de Avilés e a própria NTT DATA, que forneceu suporte técnico no desenvolvimento do plano.

Diversos serviços internos da Autoridade Portuária também estiveram envolvidos, tais como: Segurança e Serviços Gerais, Sustentabilidade, Assuntos Econômicos e Financeiros, Recursos Humanos, Operações Portuárias, Sistemas de Informação, Domínio Público, Conservação, Infraestrutura, Assuntos Jurídicos e LicitaçõesEssa participação transversal reforça a ideia de que a descarbonização não é apenas uma questão ambiental, mas uma transformação global da organização.

Durante a apresentação realizada na sede da APA, o presidente da Autoridade Portuária, Santiago Rodríguez VegaEle destacou o progresso alcançado em energia limpa e o compromisso de transformar o porto e seus arredores em um espaço descarbonizado. Reconheceu que o processo não será fácil, mas deixou claro que o objetivo é alcançável com planejamento e colaboração.

Por sua parte, o Luís Álvarez GraneroO chefe da divisão de Serviços Gerais e Segurança e coordenador do projeto agradeceu às empresas pelo seu envolvimento e observou que o roteiro foi desenvolvido com a contribuição de todo o ecossistema portuário, em consonância com o Quadro Estratégico dos Portos Estatais e sua dimensão ambiental.

O novo Roteiro para a Descarbonização do Porto de Avilés consolida um compromisso claro com a redução de emissões, autoconsumo de energias renováveis ​​e eficiência energética.Por meio de investimentos em energia fotovoltaica, eletrificação da frota, gestão avançada de energia e compra de energia verde, a APA pretende transformar seu modelo energético e se posicionar como um porto competitivo, alinhado às atuais demandas climáticas, estabelecendo uma referência para outros enclaves portuários na Espanha e na Europa.

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