O debate sobre o encerramento da central nuclear de Almaraz entrou numa fase decisiva: o calendário oficial continua o seu curso enquanto instituições, empresas e sociedade civil intensificam contactos para explorar uma possível extensão. No horizonte, as datas definidas para a desconexão das suas duas unidades —Novembro de 2027 y Outubro de 2028—condicionar cada passo.
Paralelamente, a plataforma cidadã Sim ao Almaraz, Sim ao futuro catalisou uma “Aliança por Almaraz” que reúne prefeitos, sindicatos, empresas e diversos grupos. Seu objetivo é claro: para reunir as partes para negociar com o Ministério da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico e evitar que o fechamento da usina impacte o emprego e a economia da região.
Cronograma e enquadramento legal

O plano atual, incluído no Pedido TED/773/2020, contempla a cessação definitiva de Almaraz I em 2027 e de Almaraz II em 2028. Previamente, a unidade deverá submeter a documentação de cessação ao regulador —declaração perante a CSN— e um plano detalhado de descomissionamento para o Ministério, com fases, estratégias e gestão de resíduos.
Essas etapas administrativas acionam a notificação obrigatória. CSN (Conselho de Segurança Nuclear) emite um parecer, vinculativo se for negativo, e Enresa está preparando os trabalhos de desmantelamento, que só começarão após o cumprimento dos prazos e autorizações. A própria usina ressalta seu compromisso de operar com segurança e confiabilidade até o último megawatt-hora.
Mobilização social e política
A apresentação do Aliança por Almaraz Em Navalmoral de la Mata, reuniram-se mais de oitenta instituições, com uma fotografia inédita de unidade territorialPrefeitos da região, organizações empresariais e sindicais, associações culturais e acadêmicas e o Governo Regional da Extremadura concordaram com a mesma mensagem: não apresse o encerramento sem uma alternativa real.
Ambos os líderes do PP como PSOE A Extremadura aceitou pedir ao governo central que abra a porta a uma extensão negociadaA plataforma exige “altos padrões” e diálogo efetivo com os proprietários e administrações, evitando linhas vermelhas que fazem a conversa encalha.
O manifesto assinado alerta que uma paralisação sem acordo teria efeitos no emprego e na demografia de Campo Arañuelo, e enfatiza que Almaraz apoia tecido produtivo e serviços na área circundante. Também se refere à situação internacional - preços do gás e tensões geopolíticas - como um motivo para fortalecer a autonomia energética.
Empresas, tributação e o pulso regulatório

Os proprietários da instalação —Iberdrola (53%), Endesa (36%) y Naturgia (11%)— informaram o Ministério da sua vontade de verifique o calendário, adequando-se às exigências regulatórias: unanimidade entre os participantes e possível extensão não afeta o custo para os consumidores. Neste contexto, o Conselho anunciou ajustes fiscais para facilitar um acordo.
Ao mesmo tempo, o processo técnico está progredindo: CSN ITC sobre documentos operacionais, planejamento de transição após a rescisão e contratação por Enresa de engenharia para se preparar para o desmantelamento. A planta mantém padrões reconhecidos por AQUI, elemento que o território invoca como garantia de excelência operacional.
Do mundo empresarial, vozes como a do CEOE Pedem certeza: segurança jurídica, estabilidade regulatória e um roteiro claro para o parque nuclear, num contexto em que a eletrificação É estratégico para a indústria e o investimento.
Impacto econômico, social e ambiental
Na região houve um impacto de quase 4.000 empregos entre direta e indireta, além de atividade auxiliar e serviços. A planta representa cerca de 5% do PIB regional, atua como uma âncora para o tecido industrial e interrompe o despovoamento em Campo Arañuelo.
No sistema elétrico, Almaraz cobre aproximadamente 7% da demanda anual e suprimentos sobre quatro milhões de laresEm termos ambientais, a sua operação evita a emissão de cerca de seis milhões de toneladas de CO₂ a cada ano, contribuindo para as metas de descarbonização.
No âmbito social, representantes municipais, trabalhadores e jovens da região têm apostado na Futuro profissional e raízes. A plataforma reitera que qualquer transição deve ser acompanhada de uma plano econômico e emprego com certezas, evitando um retrocesso na coesão territorial.
Europa, contexto energético e próximos marcos

A mudança no debate energético na Europa —com países que reavaliar a energia nuclear— também planeja abordar o caso Almaraz. Uma proposta foi promovida no Parlamento Europeu missão dos eurodeputados para visitar a usina no início de 2026, enquanto a plataforma insiste no papel da energia firme para o segurança do abastecimento.
A agenda imediata inclui: envio da documentação de rescisão da unidade 1 ao CSN, a apresentação do plano de desmantelamento ao Ministério e, posteriormente, os procedimentos formais de solicitação. Paralelamente, os atores locais mantêm mobilizações e solicitam um cronograma às partes diálogo eficaz que permite que decisões sejam tomadas a tempo.
Com o relógio correndo e o calendário oficial intacto, o pulso entre o planejamento de fechamento e pela procurar uma extensão A empresa agora está focada na mesa de negociações. O equilíbrio entre segurança, custos, tributação e impacto territorial determinará se a Almaraz desligará seus reatores dentro do prazo.

