Desenvolvimento energia fotovoltaica em Espanha A energia solar continua avançando, tornando-se um dos principais motores da transformação energética. O país atingiu números recordes em capacidade instalada e área ocupada por parques solares, enquanto o interesse de pessoas físicas e jurídicas continua aumentando. No entanto, esse crescimento é acompanhado por desafios regulatórios, novas dinâmicas no uso do solo e a necessidade de manter o ritmo para atingir os objetivos de médio prazo definidos pelo Plano Nacional Integrado de Energia e Clima (PNIEC).
Durante os últimos anos, instalação de sistemas solares fotovoltaicos experimentou uma aceleração muito significativa, especialmente em áreas menos povoadas conhecidas como "Espanha vazia". Locais como Teruel, Zamora, Cuenca, Palência e Ciudad Real destacam-se pelo seu papel na expansão da rede fotovoltaica, representando já metade de toda a superfície dedicada a este tipo de energia no país. Este fenómeno representa um impulso significativo para as energias renováveis em áreas tradicionalmente agrícolas ou de baixa densidade, fomentando novas oportunidades económicas e de emprego nas zonas rurais.
A energia fotovoltaica está crescendo em áreas rurais e mudando o uso da terra.

Em apenas quatro anos, a superfície dedicada às instalações solares cresceu de cerca de 20.000 para mais de 49.000 hectareas, segundo dados oficiais. Em províncias como Zamora e Teruel, o aumento foi exponencial: em Zamora, multiplicou-se por oito entre 2022 e 2023, e em Teruel, por onze desde 2016. Sevilha, por sua vez, lidera as estatísticas com quase 6.000 hectares ocupados. Esses números mostram que A energia solar fotovoltaica tornou-se a opção preferida para aproveitar grandes áreas de terra, em alguns casos deslocando atividades agrícolas anteriores.
A mudança no uso do solo afeta principalmente as terras agrícolas de sequeiro, que representam 47% da área coberta por painéis solares. Quase 19.000 hectares foram convertidos de cereais e outras culturas tradicionais para a produção de energia renovável. Esse fenômeno suscita debates sobre a transformação da paisagem rural e o equilíbrio entre a produção agrícola e a geração de eletricidade, embora também traga investimentos e renda para áreas tradicionalmente afetadas pelo despovoamento.
O autoconsumo solar continua elevado, embora com aceleração mais lenta

El autoconsumo fotovoltaico continua a adicionar instalações tanto no setor residencial como no industrial e comercial. No final de 2024, a Espanha tinha 8.137 MW de energia para autoconsumo, dos quais 1.182 MW foram adicionados somente naquele ano. No entanto, os dados do primeiro trimestre de 2025 mostram uma queda de 17% na taxa de crescimento em comparação com o ano anterior. Essa desaceleração é especialmente perceptível em instalações industriais e está associada à maior complexidade e tempo de maturação exigidos para esses projetos em comparação com os residenciais.
As previsões indicam que, para atingir as metas de 2030 estabelecidas pelo PNIEC, o país precisa instalar pelo menos 1.810 MW de energia solar para autoconsumo por ano, praticamente o dobro do ritmo atual. Para isso, especialistas do setor apontam a necessidade de facilitar os procedimentos administrativos, aumentando a taxa variável na conta de luz para incentivar a economia e estabelecendo incentivos fiscais, além de eliminar barreiras regulatórias tanto no processamento quanto no acesso à rede.
Comunidades energéticas e autoconsumo coletivo: uma tendência ascendente, mas com desafios
Paralelamente, o modelo de comunidades de energia e autoconsumo compartilhado está ganhando espaço no setor de energias renováveis espanhol. Esses projetos permitem que bairros, municípios ou grupos se unam para se beneficiar da geração e do uso compartilhado de energia solar. Em 2024, já havia 659 comunidades de energia estabelecidas no país, o que representa um aumento de 44% em relação ao ano anterior, e 8% de todos os municípios espanhóis têm pelo menos uma. No entanto, ainda existe uma lacuna significativa entre o número de comunidades criadas e as instalações efetivamente em operação: oito em cada dez ainda não possuem geração ativa.
A ausência de um marco regulatório específico e as dificuldades administrativas continuam sendo os principais obstáculos à expansão e ao desenvolvimento desse tipo de iniciativa. Representantes do setor e especialistas enfatizam isso, defendendo uma legislação clara e processos mais simplificados para explorar o potencial dessas comunidades, especialmente na área do autoconsumo coletivo e da possibilidade de compartilhamento de excedentes de energia entre múltiplos usuários.
