
Reservatório ligado ao Mediterrâneo de Tânger onde as instalações flutuantes serão testadas.
No norte de Marrocos, uma albufeira ligada ao complexo portuário de Tânger Med começa a encher-se de painéis solares flutuantes para proteger a água do sol e, no processo, gerar eletricidade. A medida surge em meio a uma seca prolongada e é apresentada como uma solução prática e objetiva para um problema que já existe há anos.
As autoridades explicam que o país acorrenta seus sétimo ano de falta de chuva e que o calor acentua a evaporação das barragens. Em agosto, o nível médio de enchimento caiu abaixo de 35%, um número que se enquadra num período em que as temperaturas estiveram próximas de 1,8 °C acima usual.
Principais fatos sobre o piloto em Tangier Med
O plano é implantar mais de 22.000 módulos fotovoltaicos em plataformas que ocuparão cerca de 10 hectares de água, numa barragem com uma superfície de cerca de 123 hectares. O sistema visa fornecer cerca de 13 megawatts, suficiente para cobrir boa parte da demanda elétrica do porto.

Projeto piloto em fase inicial para avaliar o desempenho e a estabilidade das plataformas.
A execução está ocorrendo em fases: cerca de 1.000 já foram instalados. 400 plataformas flutuantes suportando vários milhares de painéis, com amarras e linhas de ancoragem que alcançam até até 44 metros de profundidade para garantir estabilidade contra ondas, vento e variações de nível.
Impacto esperado na água e na energia
Em condições normais, a barragem perde cerca de 3.000 m³ diariamente por evaporação, um valor que pode atingir cerca de 7.000 m³ no verãoCobrir parcialmente a superfície com energia fotovoltaica permitiria reduzir esse volume em cerca de 30%, uma poupança que, embora não mude tudo, é valiosa para combater a seca quando os recursos são escassos.
O duplo efeito é claro: menos evaporação graças à sombra projetada e geração local de eletricidade o que reduz o consumo da rede. Em um período de escassez prolongada de calor e água, essa combinação proporciona resiliência ao sistema sem ocupar terras valiosas.
Projeto, montagem e medidas complementares
O conjunto é organizado em ilhas modulares interligadas que distribuem as cargas e facilitam a manutenção de painéis e investidores. A amarração multiponto e o dimensionamento das linhas visam responder a mudanças de altitude e eventos de vento intensos.
Como reforço, o projeto inclui plantar árvores nas margens para amortecer o efeito de secagem das rajadas na superfície da água, uma medida simples que ajuda a estabilizar o microclima na área do reservatório.
Riscos, limites e próximos passos
Especialistas em climatologia apontam que esta é uma iniciativa pioneira no país, mas enfatizam suas limitações: não é viável cobrir toda a barragem, e as flutuações de nível podem causar deformações nas estruturas se a ancoragem não for cuidadosamente calculada. Mesmo assim, com um projeto prudente, o resultado esperado é positivo.
O Ministério do Equipamento e Águas considera que a poupança, ainda que parcial, representa uma lucro relevante num contexto de crescente escassez. Paralelamente, estão a ser analisados sítios em Lalla Takerkoust (perto de Marrakech) e em Oued El Makhazine, uma das maiores barragens do norte, para replicar a fórmula se os resultados forem confirmados.
Com o agravamento da seca, cubra uma fração da camada de água com energia fotovoltaica flutuante Está surgindo como uma medida pragmática: reduz as perdas por evaporação, fornece energia limpa no local e não compete por terra; um passo medido, mas significativo, na adaptação hídrica e energética do Marrocos.