A revolução energética promovida pelo Presidente Emmanuel Macron está a transformar sectores-chave em França, incluindo o domínio nuclear. Num anúncio inesperado, o governo francês confirmou o encerramento de até 17 reactores nucleares antes de 2025. A notícia foi anunciada pelo Ministro da Transição Ecológica, Nicolas Hulot, numa entrevista à imprensa. Hulot indicou que “o encerramento poderá atingir até 17 reactores”, sublinhando assim o compromisso do país em reduzir a dependência da energia nuclear, que representa actualmente cerca de 75% da sua produção eléctrica. Estas ações fazem parte dos esforços contínuos para cumprir os objetivos da transição energética e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.
Apagão nuclear: consequências para a Europa

O encerramento parcial das centrais nucleares não terá repercussões apenas em França, mas afectará toda a Europa, tanto na oferta como na procura de energia. Vale a pena recordar que em 2016, Espanha registou um aumento significativo no preço do seu mercado grossista de eletricidade devido ao encerramento temporário de várias centrais nucleares francesas. Em janeiro de 2017, esta situação provocou um aumento de 96% nos preços do pool elétrico espanhol, face ao mesmo período do ano anterior.
Na Alemanha, o apagão nuclear francês será saudado com alívio, uma vez que as comunidades fronteiriças levantaram preocupações sobre o envelhecimento da frota nuclear francesa. Esta decisão também sincroniza a política energética dos dois países mais poderosos da UE, uma vez que a Alemanha fechou oito reactores nucleares em 2011, após o acidente de Fukushima, e planeia encerrar todos os seus restantes reactores até 2022.
França e a redução do uso de energia nuclear
A França já havia começado a diversificar suas fontes de energia sob a presidência de François Hollande, que aprovou uma lei que estabelecia a redução da produção de energia nuclear de 75% para 50% até 2025. Porém, até a chegada de Hulot ao governo, essa redução não havia sido materializado em termos quantitativos. Pela primeira vez, o ministro deu um número claro do impacto no parque nuclear. Segundo Hulot, o encerramento poderá afetar até 17 dos 58 reatores em operação na França, que geram atualmente cerca de 63 gigawatts-hora anuais.
A nova revolução francesa
Redução das emissões de CO2. Um dos objetivos mais ambiciosos do novo plano energético de França é alcançar a neutralidade das emissões de CO2 até 2050, superando os compromissos do Acordo de Paris, do qual os Estados Unidos se retiraram inesperadamente em 2017.

Impacto social e económico do encerramento de reactores nucleares
Para além das implicações energéticas, o sector nuclear em França tem sido um importante pilar económico, com 220,000 empregos directos e indirectos. A empresa estatal EDF, responsável pela produção de energia nuclear, continua a ser uma das empresas mais influentes do país, o que poderá criar um desafio significativo para Macron. As decisões sobre o encerramento de reactores devem também ter em conta as condições económicas e de segurança de cada central.
Em resumo, o encerramento de até 17 reactores nucleares antes de 2025 marca um ponto de viragem na política energética francesa. A transição para uma energia mais limpa será um desafio para o país, mas também traz consigo a oportunidade de liderar a luta contra as alterações climáticas e servir de exemplo para outros países da Europa e do mundo.

