A transformação para um modelo sustentável, justo e equitativo Tornou-se a espinha dorsal de muitas políticas públicas e privadas em nível nacional e internacional. Longe de ser uma moda passageira, a transição verde exige ação coordenada, investimento sustentado e o envolvimento real de todos os atores sociais: governos, empresas, cidadãos e, principalmente, o sistema educacional.
A Espanha está entre os países europeus que mais ativamente promovem projetos voltados à descarbonização e ao uso de energia limpa., especialmente por meio do hidrogênio verde e da economia circular. Mas esse esforço estrutural não pode ser separado do ambiente sociocultural: sem uma mudança na maneira como entendemos, ensinamos e convivemos com os desafios ambientais, os avanços técnicos podem ser insuficientes.
Energia verde em larga escala: sete projetos transformadores em andamento

O Ministério da Transição Ecológica confirmou a aprovação de ajuda no valor de € 1.223 bilhão. para financiar sete iniciativas de produção de hidrogênio renovável espalhadas por Aragão, Andaluzia, Castela e Leão, Galícia e Catalunha. Esses projetos, que envolvem até doze plantas industriais interligadas, devem gerar quase 270.000 toneladas de hidrogênio verde por ano, essencial para a descarbonização de setores como o transporte pesado e a indústria química.
Entre as propostas selecionadas, destacam-se aquelas que combinam a instalação de eletrolisadores de alta capacidade com o uso de combustíveis derivados como metanol verde, amônia ou eSAF (combustível de aviação sustentável). As tecnologias de eletrólise utilizadas serão principalmente alcalinas, com compromissos de compra que garantam a integração industrial desde o início.
Além do impacto ambiental, os critérios sociais também foram fundamentais na seleçãoA criação de empregos, a revitalização de áreas em declínio demográfico, a igualdade de gênero e a capacitação técnica da população local foram avaliadas positivamente. Trata-se, portanto, de um modelo de transição que prioriza a competitividade sem descuidar da coesão territorial.
Educação verde: o futuro é ensinado na sala de aula

Paralelamente ao impulso energético, A educação surge como uma ferramenta estratégica para enraizar a sustentabilidade no imaginário coletivo. A próxima cúpula do clima COP30, a ser realizada no Brasil em 2025, terá entre suas prioridades a educação ambiental como pilar da ação global. Isso não se limitará apenas ao conhecimento técnico: o objetivo é promover princípios de equidade, cidadania ativa e responsabilidade ecológica desde a infância.
A Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) já está a trabalhar em programas conjuntos entre a América Latina e a Europa para fortalecer uma educação transformadora capaz de modificar padrões consumo, mobilidade e relação com o meio ambiente. O projeto Energytran é uma das iniciativas que visa avançar nesse caminho, com o objetivo de formar profissionais e cidadãos capazes de liderar as mudanças que se avizinham.
Segundo Tamara Díaz Fouz, Diretora Geral de Educação da OEI, A sustentabilidade só será possível se for integrada transversalmente aos conteúdos educacionais e à formação de professores.As escolas devem se tornar espaços onde se forje uma visão compartilhada do mundo que queremos habitar.
O papel do País Basco: três décadas de economia verde

A Comunidade Autônoma Basca pode se orgulhar de ter impulsionado muitas das ações consideradas prioritárias hoje. O cluster ambiental Aclima, com sede em Bilbao, comemora seu 2025º aniversário como um motor de transformação sustentável em 30. Seu papel tem sido fundamental para vincular a indústria aos critérios de circularidade, eficiência e baixo impacto ambiental., antecipando as regulamentações europeias e promovendo modelos de sucesso replicáveis.
A gerente geral do cluster, Olga Martín, destaca três grandes desafios na agenda basca: a descarbonização dos processos industriais, a reciclagem eficiente e a cooperação público-privadaEmbora o País Basco já recupere metade dos resíduos gerados anualmente, ainda há um escopo significativo para utilizar milhões de toneladas de resíduos como matéria-prima secundária e abrir novas linhas de negócios sustentáveis.
O Prêmio Lurra recebido pela Aclima este ano reconhece esse trabalho pioneiro e compromete o cluster a continuar liderando a criação de oportunidades econômicas compatíveis com a proteção ambiental.
América Latina e Europa: uma aliança estratégica para uma transição justa

Não podemos falar de sustentabilidade sem abordar os desequilíbrios globais e as responsabilidades diferenciadas. A América Latina, que abriga 60% das reservas mundiais de lítio e quase metade das florestas tropicais do planeta, é uma região estratégica para a transição para uma economia global de baixo carbono. No entanto, é também uma das mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.
O Acordo de Paris e declarações internacionais anteriores consagram o princípio da justiça climática., o que obriga os países mais desenvolvidos a financiar e a apoiar a transição verde de regiões com menos responsabilidade nas emissões de gases de efeito estufa. Nesse contexto, a Europa e a América Latina estão fortalecendo a cooperação birregional, que combina transferência de tecnologia, apoio financeiro e colaboração educacional.
Para ser justo, a transição deve se adaptar às especificidades produtivas de cada território. Em muitas áreas do Sul global, Mineração, agricultura intensiva e extração de petróleo continuam sendo as principais fontes de renda.A transformação não pode ser imposta, mas sim pactuada e pactuada, apoiada por marcos legais, incentivos fiscais e apoio a empreendedores locais que apresentem soluções circulares.

Com uma abordagem integrada que combina energia limpa, educação ambiental, inovação tecnológica e acordos globaisA transição verde não só é possível como já está em andamento. A Espanha avança de forma decisiva, apoiada por alianças internacionais, apoio financeiro europeu e uma cidadania cada vez mais consciente.