
Todo dia 10º de agosto é comemorado Dia Internacional do Biodiesel, data que faz referência ao primeiro arranque bem-sucedido do motor de Rudolf Diesel com óleo vegetal, e que hoje serve para tomar o pulso a uma tecnologia fundamental para a descarbonização do transporte.
O aniversário nos convida a olhar para o passado para entender o presente: Da experiência com óleos à indústria moderna, por meio de avanços químicos, novos combustíveis renováveis e políticas que estão redefinindo a matriz energética em diferentes países.
Origem da comemoração: da oficina do Diesel à história

Rudolf Diesel propôs-se a superar a baixa eficiência de máquinas a vapor de sua época, inspirado pelos limites teóricos descritos por Sadi Carnot; seu objetivo era alcançar um motor de combustão interna muito mais eficiente.
O caminho não foi fácil: em 1892 Um protótipo movido a amônia explodiu, causando ferimentos graves e retirando o apoio do seu mentor, Carl Linde. No entanto, ele encontrou apoio em Henrique von Buz (MAN), o que permitiu que o desenvolvimento continuasse.
Um ano depois, o 10 agosto, 1893Diesel conseguiu dar partida em seu motor com sucesso usando óleo de palmaEste dia marca um ponto de virada em direção aos biocombustíveis.
Em 1897, a MAN introduziu um motor diesel de quatro tempos de 25 cv que podia funcionar com uma variedade de combustíveis, desde óleos vegetais até mesmo frações leves de petróleo. Essa versatilidade antecipou uma gama de opções de energia para usos industriais e de transporte.
O que é biodiesel e como ele é obtido?

O biodiesel é um éster metílico de ácido graxo produzido por transesterificação: uma reação química que reduz a alta viscosidade dos óleos, tornando-os adequados para motores diesel modernos.
As matérias-primas são variadas e adaptadas a cada região, o que confere ao biodiesel grande flexibilidade de fornecimento e custo:
- Óleos vegetais: soja, girassol, colza, palma e outras culturas oleaginosas.
- Óleos usados cozinha, que permitem a valorização dos resíduos.
- Gorduras animais (sebo e outras frações lipídicas).
O biodiesel pode ser usado puro ou misturado com diesel fóssil em diferentes porcentagens, dependendo das regulamentações locais e da compatibilidade dos motores e da infraestrutura.
Junto com a FAME, a gasóleo renovável ou HVO (óleo vegetal hidrotratado), obtido por hidrotratamento em alta temperatura e pressão, que gera hidrocarbonetos parafínicos muito semelhantes ao diesel fóssil.
Impacto ambiental e políticas que definem o rumo
Considerando o ciclo completo, o biodiesel e o diesel renovável podem atingir um redução de emissões de até 80% comparado ao diesel convencional; estudos na Argentina estimam a queda nos preços do biodiesel em cerca de 70%.
Desde a década de 90, a preocupação com a mudança climática e a segurança energética levou à adoção de mandatos de mistura obrigatória em vários países, aumentando a demanda e profissionalizando a cadeia de suprimentos.
Na Europa, a regulamentação Reabastecimento da Aviação da UE define porcentagens crescentes de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). Muitas refinarias convertidas produzem SAF e o extraem como um fluxo associado. extensão HVO, embora seu custo geralmente seja maior que o do FAME.
O biodiesel, com menores barreiras de entrada, abriu as portas para novos atores industrial e regional; o HVO é mais adequado para instalações petrolíferas existentes. Essas tecnologias complementar, mas exigem políticas diferenciadas.
Argentina e a região: luzes, sombras e oportunidades
A Argentina se tornou a o maior exportador mundial de biodiesel, apoiado por um complexo agroindustrial competitivo. No entanto, foram encontrados limites comerciais: cotas da UE após disputas na OMC e tarifas próximas a 150% nos EUA, além de exclusões de incentivos para biocombustíveis importados.
No plano doméstico, o mandato para a mistura argentina gira em torno de 7,5%, enquanto o Brasil avançou em direção ao B15. Paralelamente, a EPA dos EUA propõe expandir a diesel biológico (que inclui FAME e HVO), consolidando seu papel na transição energética.
Especialistas do setor pedem uma nova lei com regras claras, objetivos crescentes e integração de grandes exportadores, PMEs e novas culturas de inverno como carinata, cártamo, camelina ou colza para diversificar matérias-primas.
Futuro do biodiesel
A reativação não começa do zero: há capacidades industriais, histórico de exportação, infraestrutura, cientistas e técnicos, além de uma agroindústria flexível e capaz de fornecer biomassa sem pressionar a fronteira agrícola.
Neste 10 de agosto, a comemoração transcende o simbólico: o biodiesel não é coisa do passado, é presente e futuro. É uma ferramenta concreta para reduzir emissões, gerar emprego, fortalecer cadeias regionais e caminhar para uma matriz energética mais limpa e diversificada.