A captura de carbono está se consolidando como uma alavanca fundamental para a descarbonização industrial.

  • O Chile promove combustíveis sustentáveis. a partir de CO₂ e hidrogênio verde para o setor de aviação.
  • Brasil aprova marco regulatório para o armazenamento geológico de carbono, embora ainda existam desafios relacionados à responsabilidade do operador.
  • A União Europeia está estudando modelos. Transferir a responsabilidade pelos armazéns após o seu encerramento, um exemplo para futuras regulamentações.
  • A captura de CO₂ está ganhando forma. como uma tecnologia essencial para setores difíceis de descarbonizar, como a indústria de cimento ou a siderurgia.

Os setores da aviação, do cimento e do aço são algumas das áreas onde o CO2 capturado poderia ser transformado em uma oportunidade energética, fechando o ciclo do carbono em vez de liberá-lo na atmosfera. Essa tendência se reflete em projetos recentes, que se destacam tanto pela inovação quanto pela crescente viabilidade econômica.

Captura e armazenamento de CO2-1
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planta de captura de CO2

Pesquisa no Chile visa converter CO2 em combustível.

No Chile, uma equipe de pesquisa da Universidade Católica está desenvolvendo um projeto para produzir combustíveis sustentáveis ​​a partir de CO2 e hidrogênio verde. A iniciativa tem duas linhas de trabalho: a captura de CO2 para sua posterior conversão em combustíveis de alto valor agregado e a produção de combustível de aviação sustentável (SAF) por meio da gaseificação de resíduos orgânicos.

Os pesquisadores afirmam que esse processo permite o fechamento do ciclo do carbono, em vez de aumentar sua concentração na atmosfera. Além disso, o projeto foi concebido para ser ampliado industrialmente, aproveitando as condições favoráveis ​​do Chile para a geração de energia renovável, como a radiação solar no Deserto do Atacama e os fortes ventos na região de Magalhães.

Segundo especialistas, o combustível sintético produzido a partir de CO2 e o hidrogênio verde representam uma opção altamente viável para a aviação, um setor que não pode ser eletrificado a curto ou médio prazo e que depende de combustíveis de alta densidade energética. Um estudo regional da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) já identificou o Chile como um país com grande potencial nessa área.

Captura de CO2
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Brasil aprova decreto para armazenamento de CO2

No Brasil, o governo assinou um decreto que estabelece as condições para atividades de captura, armazenamento e utilização de carbono (CCS/CCUS). A medida, que inclui tecnologias como BECCS e DACCS, representa um avanço na criação de um arcabouço legal para esses projetos.

No entanto, especialistas jurídicos alertam que ainda é preciso resolver alguns entraves regulatórios. A responsabilidade perpétua do operador após o fechamento do armazém, a ausência de transferência de responsabilidade para o Estado (como ocorre na União Europeia) e a necessária regulamentação da Autoridade Portuária Nacional (ANP) são alguns dos problemas que geram incerteza e aumentam os custos de investimento.

Armazenamento geológico de carbono

Ainda assim, o reconhecimento do armazenamento geológico de CO2 como uma atividade de mitigação climática é um passo importante e valioso. Comparado a soluções baseadas na natureza, como o reflorestamento, o armazenamento geológico oferece vantagens em termos de permanência e mensuração do carbono. Os setores que mais se beneficiarão são o de cimento, aço, produtos químicos e petróleo e gás, onde a eletrificação não consegue eliminar completamente as emissões.

Captura de CO2 para reduzir as emissões de gases de efeito estufa
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A indústria está se adaptando para a captura de carbono.

O interesse pelo CO2 não se restringe à América Latina. Na horticultura em estufa holandesa, uma empresa desenvolveu um sistema modular que permite aos produtores capturar o CO2 de suas próprias unidades de cogeração. Na província da Holanda do Sul, um produtor de tomates instalou um sistema que captura aproximadamente 80% do CO2 de sua cogeração, aproveitando assim um recurso que antes era desperdiçado.

Essa tecnologia, baseada em um processo de absorção de aminas, permite que o CO2 seja armazenado em tanques e utilizado como fertilizante em plantações. O modelo de negócios tem sido fundamental para o sucesso do projeto , visto que o CO2 é um recurso cada vez mais escasso e caro na indústria alimentícia. A empresa responsável pelo sistema já anunciou planos de expandir a tecnologia para outros projetos, incluindo aqueles relacionados à energia geotérmica e à liquefação de CO2.

Outra alternativa que tem atraído atenção é o uso de biochar, um material produzido a partir de resíduos orgânicos. Na Espanha, algumas empresas já estão desenvolvendo processos de pirólise para converter caroços de azeitona em biochar, um material capaz de reter CO2 e melhorar a fertilidade do solo, demonstrando que a captura de CO2 também tem aplicações no setor agrícola.

Em resumo, a captura de carbono está se tornando uma ferramenta fundamental para a redução de emissões em setores de difícil descarbonização. Notícias positivas chegam de todo o mundo, desde projetos industriais no Brasil até pesquisas inovadoras no Chile, refletindo uma tendência global em direção a usos produtivos para o CO2. A tecnologia está amadurecendo e as regulamentações começam a acompanhar o ritmo, o que sugere que, nos próximos anos, ela será um pilar fundamental da transição energética e da mitigação das mudanças climáticas.

Captura de CO2
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